Quanto vale importar uma marca?

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A TVI24 passou a ser a CNN Portugal. Até aqui tudo bem... mas se formos mais fundo nos porquês e nos comos não sei se será assim tão bem!

Imagine-se o seguinte cenário num mundo paralelo ao nosso. Especule-se que a Portugália, esta tão portuguesa casa de deliciosos bifes, passaria a ser "marcada" como o Burger King Portugal, ou o Expresso, neste mesmo mundo paralelo, passaria a designar-se como o The Washington Post Lisboa. Mas podemos ir mais longe, muito mais longe! Imagine-se também o cenário, neste caso quase distópico, de termos uma marca como o Benfica que desaparece e renasce como Manchester Lisboa! Os mais aficionados diriam "jamais!" Os mais entusiastas diriam "inadmissível", mas na verdade se legalmente for praticável, todas estas possibilidades estão em cima da mesa. Não?

A pergunta que subsiste é: porquê? Porquê acabar com uma marca portuguesa para no lugar dessa nascer uma americana que na verdade, se comporta como a portuguesa? Será uma aposta reputacional? Será que nos estão a dizer que uma marca como a CNN atrai mais benefício financeiro? Será uma decisão que procura mais audiências, sabendo que o público continua, seja TVI seja CNN, circunscrito aos telespectadores de expressão portuguesa?

Será um problema de employer branding? Será que o processo de gerir e influenciar a sua reputação como empregador não foi satisfatória e decide-se assim mandar os funcionários para casa a uma sexta com o polo e o boné da TVI, mas na segunda vestem a farda da CNN e vão executar as mesmas tarefas?

Está mais que provado, escrito e descrito que entre os candidatos a emprego, empregados e principais partes interessadas, este jargão do employer branding é o que dita, na verdade, tudo! Define se o candidato quer ser jogador do Manchester Benfica ou "só" do Benfica, define-se pelo "gerir" e pelo "influenciar" e não, por oposição, no "possuir" e no "mandar". Porque a marca não é algo que realmente se possua. É inatingível. A reputação é o que mais pesa, e na verdade não tem massa, não tem volume, não se apalpa. Sente-se. A reputação da marca existe na mente dos candidatos, dos empregados, do público, e na verdade é moldada pela intangibilidade dos seus pensamentos e impressões.

Não sei se estas minhas especulações foram o ponto de partida ou sequer o de chegada da tomada de decisão, mas o que sei é que empregados motivados têm maior produtividade, seja em que marca for. Sei também que empregados que trabalham com marcas fortes são geralmente mais entusiastas e motivados. E eu adorava ver todo este entusiasmo nas marcas portuguesas.

Nas portuguesas... e nas importadas!

Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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