Qual é a pressa

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Seguro deu no fim de semana uma entrevista ao DN. Quem nela buscasse perceber como foi possível "abster-se violentamente" no OE 2012 e recusar o respetivo pedido de fiscalização da constitucionalidade e agora votar contra o OE 2013 e subscrever, em relação ao mesmo, um pedido de fiscalização que incide sobre normas que são um prolongamento das do OE 2012 (e que mereceram "chumbo" do Tribunal Constitucional) ficou na mesma. Seguro não só nada disse sobre isso, como em relação ao que é a grande novidade do OE 2013 em relação ao anterior, o brutal aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho, respondeu que não está em condições de "prometer aos portugueses diminui-lo" caso seja primeiro-ministro.

Poderá haver boas razões para esta resposta - por exemplo, não saber em que estado lhe chegariam às mãos, a chegarem, as contas públicas. Mas, a crer na versão escrita da entrevista, Seguro nada acrescenta. E como logo de seguida afirma "não aceito que se pisem linhas vermelhas" e "quando há convicções não se hesita nem há nada que nos condicione", tem de se concluir não vê uma "linha vermelha" entre considerar o OE 2013 "o maior aumento de impostos da história", votar contra ele e mantê-lo. O que será, ao certo, "ter convicções" para António José Seguro?

Na dúvida, os entrevistadores perguntam se não evitará prometer, para não se comprometer. Indigna-se: "Não é verdade. No site do PS estão lá todas as promessas que fiz e faço." Ala para o site do PS, então. Existe de facto uma página com "compromissos" e outra com "propostas". Na primeira, cuja última entrada é de agosto, encontram-se coisas bonitas como "criar condições objetivas para a conciliação da vida política e familiar", "fim dos offshores" e "manutenção de diálogo constante com os sindicatos". Na segunda, dividida por áreas, tem-se desde logo a surpresa de descobrir o banco de horas, a extinção dos feriados e as razões para despedimento na área "Estado social". E que na Educação se propõe "o estabelecimento de um número máximo de alunos por turma para garantir a qualidade no ensino", sem dizer qual e aparentemente desconhecendo que já existe um número máximo de alunos - aumentado por este Governo. Já quanto ao "prazo de consolidação das contas públicas", o PS "propõe um maior", porque "a austeridade poderia assim ter impactos menos violentos." Qual prazo? Adiante. Só na secção OE 2013 se encontra algo que se pareça com alternativas concretas - mas sem contabilização em medidas como "taxa de solidariedade sobre as PPP" e "sobretaxa sobre a produção hidroelétrica e termoelétrica".

Pode um partido cujo líder considera que o Governo não tem legitimidade por estar a fazer tudo ao contrário do que prometeu, acusando-o de destruir o País, dar-se ao luxo de tal imprecisão e trapalhice? Achará que não precisa de apresentar contas, ou que ainda é cedo?

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