No dia do seu aniversário, Vladimir Putin já foi visto a beber vodca com outros líderes mundiais, a passear pela taiga na Sibéria ou a jogar hóquei no gelo em Sochi. Este ano, segundo a Sputnik, o presidente russo celebrou os 65 anos a trabalhar, entre telefonemas e um encontro com membros do seu conselho de segurança. Mas nas ruas de 80 cidades russas, de Vladivostoque a São Petersburgo, milhares de pessoas deram um presente envenenado a Putin, desfilando para exigir a libertação do opositor Alexei Navalny e o seu direito a ser candidato às presidenciais de 2018..Por entre muitos "Putin, vergonha da Rússia", "Libertem Navalny" e "A Rússia devia ser livre", os "Parabéns" que se gritaram ontem na Rússia eram tudo menos celebratórios. Mais de 250 pessoas foram detidas após confronto com a polícia, a maior parte em São Petersburgo, a cidade natal do presidente e palco do maior protesto do dia..A mobilização, tal como a resposta policial, foi no entanto menor do que na Primavera, quando dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra as políticas do Kremlin. Na altura, milhares foram detidos e muitos ficaram feridos nas cargas policiais. Ontem em Moscovo foram cerca de mil os manifestantes que desafiaram a chuva na praça Pushkin, ignorando a proibição. "Não quero um regime asiático ou como o da Coreia do Norte", explicou à AFP Maria Antonienko, uma estudante de 18 anos. Já Orest Tchertchessov, de 43 anos, garante que não apoia Navalny, mas "estou aqui porque acho que ele tem direito a ser candidato às eleições"..Principal opositor ao Kremlin, Navalny viu em junho a comissão eleitoral central decretar que é inapto a candidatar-se às presidenciais do próximo ano uma vez que tem uma anterior condenação na justiça por desvio de fundos..Nascido em Butyn, na região de Moscovo, há 41 anos, Navalny formou-se em Direito mas destacou-se pelo seu ativismo político, não se cansando de denunciar o que diz ser a corrupção das mais altas esferas do poder russo. Descrito em 2012 pelo Wall Street Journal como "o homem que Vladimir Putin mais receia", Navalny ganhou destaque nacional e internacional graças ao seu blogue no LiveJournal. Candidato à presidência da Câmara de Moscovo em 2013, ficou em segundo lugar com 27% dos votos, atrás do autarca em exercício, Sergei Sobyanin..O homem que considera o Rússia Unida de Putin como um partido de "vigaristas e ladrões" já foi detido inúmeras vezes, na maior parte delas por organizar manifestações consideradas ilegais. A última fez foi no passado dia 2 de outubro, quando foi condenado a 20 dias de prisão. A cumprir a pena em prisão domiciliária. Foi daí que apelou aos apoiantes para se juntarem a uma "ação de protesto por toda a Rússia"..Entre os opositores, Navalny não é contudo consensual. Uns criticam-no por ter falado em eventos ultranacionalistas, outros por ser próximo dos EUA, tendo passado um semestre em Yale. Mas em 2012, quando tiveram de eleger um líder, foi ele a escolha em vez do campeão de xadrez Garry Kasparov. Mesmo se só votaram 80 mil pessoas.