A ministra das Finanças reagiu este sábado à tarde em comunicado rejeitando "as insinuações proferidas pelo secretário-geral do PS", António Costa, depois deste ter afirmado que, de cada vez que os socialistas reuniram com a coligação deixaram sempre cair "uma nova surpresa desagradável que se vai tornar pública um dia", depois de um encontro entre Maria Luís Albuquerque e Mário Centeno, o homem das contas socialistas.."Nada do conteúdo da referida reunião é suscetível de suportar as insinuações proferidas pelo secretário-geral do PS, nem no decorrer da mesma foram suscitadas quaisquer preocupações ou informações sobre temas que não sejam do conhecimento público ou que sejam passíveis de gerar alarme sobre a situação atual e perspetivas futuras do País", esclareceu a dirigente social-democrata, eleita deputada por Setúbal, num comunicado enviado às redações pelo PSD este sábado à tarde..[citacao:a situação das finanças públicas portuguesas é absolutamente transparente].Maria Luís Albuquerque rematou o seu comunicado apontando o dedo ao PS: "Em política não vale tudo e do Partido Socialista esperar-se-ia um comportamento responsável e verdadeiro perante os portugueses.".[artigo:4839716].Antes, a dirigente resume o historial da reunião. Passos Coelho, na qualidade de presidente do PSD, pediu a Maria Luís que se encontrasse com Mário Centeno, pelo PS, logo depois do primeiro encontro entre delegações da coligação de direita e dos socialistas, na sexta-feira, dia 9. Este alegou "compromissos pessoais" para esse encontro não acontecer durante o fim-de-semana, pelo que "a reunião só veio a ter lugar na segunda-feira, dia 12 de outubro"..Segundo a ministra, "o conteúdo da reunião resultou das questões que o PS tinha colocado por escrito, no dia 10 de outubro, e decorreu no âmbito do processo negocial encetado com a Coligação Portugal à Frente, vencedora das eleições legislativas" e "as questões foram essencialmente focadas em aspetos macroeconómicos e orçamentais"..[artigo:4839854].Maria Luís rejeita que tenha sido escondida quaisquer dados. "Toda a informação relevante disponível, designadamente sobre a execução orçamental de 2015 e ponto de situação da atualização do cenário macroeconómico, foi fornecida verbalmente e remetida posteriormente também por escrito. As alterações ao cenário macroeconómico prendem-se com a atualização das hipóteses externas e a evolução mais positiva na taxa de desemprego e na decomposição do PIB.".A dirigente social-democrata garantiu que "a situação das finanças públicas portuguesas é absolutamente transparente e é permanentemente auditada por entidades independentes nacionais e externas (Banco de Portugal, Conselho de Finanças Públicas, UTAO, INE, Comissão Europeia, FMI, BCE, Mecanismo Europeu de Estabilidade, OCDE, agências de rating, entre outros)"..António Costa, em entrevista à TVI, na sexta à noite, tinha afirmado que os portugueses "hão-de saber porque há um limite para a capacidade de o Governo omitir"..Duas horas do primeiro comunicado do PSD (enviado pelas 16.40), o gabinete de imprensa social-democrata fez chegar uma nova atualização, "uma vez que por lapso" não foi transcrita "parte do texto original". E essa parte pretende explicar melhor a passagem em que Maria Luís acusa o PS de, nessa reunião, não ter suscitado "quaisquer preocupações ou informações sobre temas que não sejam do conhecimento público", acrescentando dois exemplos, "como é o caso do processo de privatização da TAP ou a investigação aprofundada sobre o BANIF iniciada pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia"..Mais: segundo os sociais-democratas, o PS não pode "gerar alarme sobre a situação atual e perspetivas futuras do País", especificando agora, nesta versão atualizada, três áreas: "No que respeita ao estado das finanças públicas, [na] situação macroeconómica ou ainda [no] sistema financeiro."