Investigação confirma: mosquitos não transmitem o novo coronavírus

Cientistas analisaram as principais espécies destes insetos que mais infetam e confirmam que, mesmo em condições extremas, não transmitem este vírus.
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Como em tantas outras coisas no que se refere à covid-19, a possibilidade de ser transmitida por mosquitos chegou a ser considerada, no início da pandemia. Pouco depois a Organização Mundial de Saúde (OMS) veio garantir que "até agora não há informação nem provas de que o SARS-Cov-2 [o vírus da covid] possa transmitir-se através de mosquitos". Agora, um estudo publicado na Schientific Report veio confirmar essa ideia.

Depois de analisar três espécies de mosquitos muito disseminados por todo o mundo, os cientistas confirmaram que não têm capacidade para infetar e transmitir o novo coronavírus. Os mosquitos analisados são o Aedes aegypti, Ae. albopictus e o Culex quinquefasciatus, os principais vectores de arbovírus que estão também presentes na China, onde a pandemia começou em finais de 2019.

Os cientistas garantem que, mesmo em condições extremas, o SARS-Covi-2 não consegue replicar-se nestes mosquitos e, portanto, não o podem transmitir aos humanos.

Para obter estes resultados, os cientistas infetaram os mosquitos através de uma inoculação intratorácica. Após duas horas, recuperaram os agentes infecciosos de 15 mosquitos. Dois deles já não tinham o vírus. Mas ao fim de 24 horas já nenhum apresentava qualquer vestígio de SARS-Cov-2 nos restantes 277 mosquitos inoculados. Ou seja, registou-se uma perda rápida das características infecciosas e a ausência de replicação do vírus.

Claro que como em todas as histórias, também nesta houve o que o El País descreveu como "um patinho feio". No Ae. albopictus foram recuperados vírus infecciosos. Mas apenas a mesma quantidade com que fora inoculado, não tendo havido replicação, o que deixa os investigadores mais tranquilos,

Alvoroço nas redes sociais

A investigação também gerou alguma polémica entre cientsitas nas redes sociais. Por um lado, Isabella Eckerle, professora no Centro de Genebra para Doenças Virais Emergentes, escreveu naquela rede social que "é sempre bom ter uma prova experimental como esta", por outro Volker Thiel, do Instituto de Virologia e Imunologia da Suíça, sublinha que "este seria o primeiro e único coronavírus que se poderia transmitir por mosquitos".

O virologista não é o único a desvalorizar o estudo. Também Nerea Irigoyen, na Universidade de Cambridge, lembra quee "seria estranho que um coronavírus pudesse infetar células de mosquito, pois apenas infeta mamíferos e aves"

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