Graça Freitas alerta para "uma transmissibilidade muito elevada"

Avisa que "a pandemia não acabou a nível global" e que se mantém em Portugal. Apela, por isso, ao reforço das medidas de proteção na Páscoa, como o uso da máscara. "Estamos longe de chegar à atividade [do vírus] que nos permita ter um verão descontraído e seguro", disse.
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A Diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, fez, esta quarta-feira, um balanço da situação epidemiológica, reforçando o apelo à adoção de medidas de proteção individual, no período da Páscoa, como a utilização da máscara em espaços fechados.

"A epidemia mantém uma transmissibilidade muito elevada, com tendência geral decrescente, é certo, e com R(t) inferior a 1, mas o número de novos casos nos últimos sete dias ainda rondou os 60 mil", afirmou Graça Freitas.

"Este número de casos, 60 mil, é superior aos picos das curvas epidémicas anteriores, exceto do último inverno, portanto, ainda estamos num nível elevado e estamos longe de chegar à atividade basal interondas baixa que nos permita ter um verão descontraído e seguro", explicou a diretora-geral da saúde.

Graça Freitas disse que a atividade do vírus SARS-CoV-2 é ainda intensa e a transmissibilidade ´" elevada", disse a responsável.

Afirmou que as condições de imunidade em Portugal permitem que haja "um impacto menor nos serviços de saúde e no impacto da mortalidade". Ainda assim, referiu, não podemos esquecer que estamos com uma incidência elevada da infeção.

A variante BA.2 é a dominante em Portugal, associada a 98% dos casos em Portugal. "Mas também estão a ser identificadas outras mutações na variante Ómicron, que podem ou não levar a linhagens diferentes da BA.2", disse Graça Freitas.

De acordo com a diretora-geral da Saúde, o sistema de saúde tem uma "grande capacidade, neste momento, para acomodar uma procura de doentes com covid-19, independentemente da covid-19 ser a causa principal de internamento ou ser uma uma causa secundária". Esta situação verifica-se em enfermaria e em cuidados intensivos, acrescentou.

No que se refere ao indicador de mortalidade, Graça Freitas revela preocupação. "A mortalidade especifica por covid-19, foi de 28,5 óbitos por um milhão de habitantes em 14 dias", o que revela uma tendência estável, ligeiramente decrescente. Vamos ver se esta diminuição se mantém ou não".

Este valor da mortalidade, explicou Graça Freitas, "é superior ao valor limiar de 20 óbitos a 14 dias por milhão de habitantes, que foi definido como um valor de segurança pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças e que os especialistas em Portugal tomaram como valor de referência para recomendar ao Governo que retire outras medidas restritivas".

Tendo em conta a atual situação epidémica que Portugal ainda enfrenta, "vamos continuar a vigilância epidemiológica da covid-19 e a recomendar medidas de proteção individual, entre as quais sempre a vacinação, nomeadamente a dose de reforço".

Nesse sentido, Graça Freitas apelou às pessoas elegíveis para tomarem a dose de reforço da vacina contra a covid-19.

"A pandemia não acabou a nível global, a pandemia mantém-se em Portugal", alertou. "Não sabemos como vão ser os próximos meses e, portanto, toda a proteção que conseguirmos construir será boa proteção para o futuro", sublinhou.

Perante este cenário, e tendo em conta o período da Páscoa, a diretora-geral da Saúde afirma: "apela-se à participação de todos os cidadãos, no sentido da sua proteção e da proteção dos outros".

"Quando estamos numa estratégia de conviver com o vírus temos ao mesmo tempo de ter uma estratégia de proteger os mais vulneráveis", refere Graça Freitas, referindo-se aos idosos, os "mais doentes e as pessoas que estão em instituições".

"Nesta época de Páscoa, em que a tendência é parar nos juntarmos com a família e com os amigos, vai haver contacto com as pessoas mais vulneráveis", refere.

"As grandes recomendações são: os doentes com covid-19 - recordo que tivemos 60 mil casos reportados na última semana, são muitos casos ainda - devem manter-se isolados. Em espaços fechados continuamos a recomendar o seu arejamento e, obviamente, continuamos ainda a recomendar em espaços fechados a utilização de máscaras".

A DGS recomenda ainda que, por cautela, deve ser mantida a "distância física com pessoas com as quais não se convive habitualmente".

"Para participar em convívios alargados pode sempre fazer um teste SARS-CoV-2. As medidas de higiene das mãos e de higiene respiratória são sempre uma boa prática, com ou em covid-19, e, por isso, também recomendamos que se mantenham". Isto numa altura em que, além do SARS-CoV-2, circulam outros vírus respiratórios, acrescentou Graça Freitas.

Questionada sobre quando é que seriam levantadas as medidas restritivas, como o uso da máscara em espaços fechados, Graça Freitas remeteu a resposta para a posição dos especialistas.

"Consideraram que era seguro abandonar o último conjunto de medidas restritivas quando a mortalidade chegasse aquele limite de 20 óbitos por milhão de habitantes em 14 dias. Essa é a barreira de segurança que os especialistas recomendaram ao governo. Estamos otimistas que à medida que a incidência diminui, sobretudo nos grupos mais velhos, tenha repercussões na mortalidade", indicou.

A DGS vai, por isso, continuar a monitorizar a situação e, "logo que possível, com segurança e já num valor baixo da atividade do vírus libertarmos a sociedade das últimas medidas restritivas".

Salientou, no entanto, que temos de estar preparados, enquanto sociedade, para quando retirarmos restrições, o vírus irá propagar-se mais rapidamente e para que haja um aumento de casos. "O que não queremos é que haja um aumento de óbitos e de internamentos".

"Mesmo que não seja obrigatório, quando formos ver a mãe, a avó, a tia ou alguém doente ou alguém numa instituição continuar com a máscara. Aliás, vamos continuar a recomendar a máscara nos serviços de saúde, por exemplo nos lares", declarou a diretora-geral da Saúde.

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