A frente do fogo que lavrava há 48 horas na serra de Monchique era bem visível no domingo à noite da vila algarvia e levou à evacuação de algumas casas perto dos locais onde as chamas se aproximavam - por uma questão de segurança, algumas pessoas foram levadas para uma escola no centro da vila, que não estava ameaçado. Ainda assim, viveram-se momentos de grande aflição e a Proteção Civil chegou a prever a utilização de autocarros para evacuar toda a vila, caso fosse necessário..Em Lisboa, ao final da noite, o comandante operacional nacional da Proteção Civil, Duarte da Costa, disse que os meios - 800 operacionais, 230 viaturas e 12 meios aéreos - foram concentrados para proteger a vila de Monchique e Alferce, a cerca de 9 km. "A maior parte de Monchique está salvaguardada do fogo", garantiu o responsável, acrescentando que, por uma questão de segurança, foram requisitados alguns autocarros para evacuar a vila em caso de necessidade, mas que tal não deveria ser necessário. "Em Monchique a situação é preocupante, mas está controlada", concluiu, apelando a que a população não entrasse em pânico..O porta-voz da Proteção Civil confiava que a mudança das condições meteorológicas esperadas para a noite e madrugada, com menos calor e mais humidade, ajudasse os bombeiros a combater mais rapidamente o incêndio. "A frente mais ativa deste incêndio chegou à bacia da barragem de Odelouca e existem boas condições para que pare aí. Esperamos nas próximas horas, também com a ajuda das condições meteorológicas, sobretudo com uma subida da humidade relativa para 50% e uma diminuição da temperatura do ar, conseguir combater este fogo durante a noite.".Quanto às populações, garantia que estavam protegidas. "As pessoas estão numa situação protegida, essa é sempre a nossa prioridade. Mas pedimos que não entrem em pânico e sigam as recomendações de todas as forças. Confiem no trabalho das autoridades. Os agentes estão a fazer um trabalho fenomenal. Se pedirem às pessoas para saírem é para salvaguardar as vidas humanas", referiu o mesmo responsável, admitindo a possibilidade de existirem casas queimadas no fogo: "Num conjunto de pequenas povoações ao longo do incêndio, pode ter havido casas isoladas que podem ter sofrido as ações das chamas.".Ministro manifesta total confiança e solidariedade.O ministro da Administração Interna, também presente na conferência de imprensa da Proteção Civil, manifestou "total confiança e solidariedade" na estrutura da Proteção Civil e nos milhares de operacionais que estão a combater os incêndios, sobretudo o que lavra no concelho de Monchique, distrito de Faro. "Queria apenas, neste momento, transmitir uma manifestação de total confiança e de total solidariedade nos milhares de operacionais dos bombeiros, da GNR, das Forças Armadas, de toda a estrutura de Proteção Civil, das entidades que têm cooperado no terreno" e sublinhar a "articulação exemplar com a Câmara Municipal de Monchique", afirmou Eduardo Cabrita na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Oeiras..Segundo o governante, isto "reflete a capacidade que o sistema de Proteção Civil demonstrou ao longo destes dias de alerta especial em que se verificaram no país as temperaturas mais elevadas de que há registo em grande parte das estações meteorológicas do contingente".Assim, acrescentou o ministro, "foi possível, num contexto de ocorrência de mais de seis centenas de incêndios rurais ao longo destes dias de alerta especial que, neste momento, as atenções estejam concentradas exclusivamente em dois pontos: em Marvão e, fundamentalmente, em Monchique"..Marcelo fala em capacidade de resposta brutal.Marcelo Rebelo de Sousa acompanhou permanentemente a situação em Monchique, sublinhando a capacidade de resposta "brutal" no combate ao fogo, sem colocar em risco o resto do país. "Estou ao longo do dia em permanente contacto com o senhor ministro da Administração Interna, começa logo às nove da manhã, quando temos o primeiro contacto, dura ao longo do dia e ainda há pouco tempo tive um novo contacto. Estou a acompanhar o que se passa", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP3..Considerando que os 900 operacionais que estão mobilizados para o incêndio em Monchique, que deflagrou na sexta-feira, "é uma coisa brutal em termos de capacidade de resposta", sem pôr em risco o restante território nacional, o chefe de Estado reconheceu diferenças em relação ao que se passou no ano passado nos fogos de junho e de outubro.."Acho que se olhar para os meios que estão a ser utilizados, há aqui uma diferença de meios muito significativa, meios aéreos por um lado, meios no terreno por outro lado, a forma de estrutura e de prevenção", referiu, ressalvando, contudo, que o mês de agosto ainda está no início..De qualquer forma, insistiu, "neste momento a situação é uma situação circunscrita e limitada e isso faz diferença indiscutivelmente ao que se viveu antes de junho do ano passado e ao que se viveu entre junho e outubro"..À SIC Notícias, contudo, o Presidente da República admitiu que que ficou "surpreendido com a dimensão do fogo".