A Frente Nacional (FN) de Marine le Pen tinha partido para a segunda volta das regionais a liderar seis das 13 regiões francesas. Sabiam que seria muito difícil manter este resultado, mas tinham a esperança de conquistar três delas. Ontem, depois dos votos contados, nem uma. Uma boa notícia para Os Republicanos de Nicolas Sarkozy e seus aliados de direita, que venceram em sete regiões e saíram vitoriosos neste que foi o último teste antes das presidenciais de 2017. O PS de François Hollande, depois de ter retirado algumas das suas candidaturas, ainda conseguiu pintar a rosa cinco regiões com a ajuda de alianças à esquerda. A participação foi de 58,74%, um valor acima dos 49,91% da semana passada..Já com a cabeça na corrida ao Eliseu - no final da semana, Marine le Pen tinha garantido que era candidata às presidenciais "acontecesse o que acontecesse" - a líder da extrema-direita classificou o resultado de ontem como um "formidável sucesso" pelo qual agradeceu a "todos os militantes". E lembrou o número de representantes conquistados nas regionais de 2010. "As nossas listas passaram de 9,17% para 30% dos votos nas segundas voltas, confirmando a inexorável subida nacional, como já havia sido mostrado nas europeias e nas departamentais, passando ao nível local os resultados obtidos em 2012", declarou a líder da FN..Com 91% dos votos contados, a Frente Nacional tinha conquistado 28,48% dos eleitores, o equivalente a 6,54 milhões de votos. Um número acima do seu recorde, os 6,42 milhões obtidos por Marine na primeira volta das presidenciais de 2012, segundo anunciou o partido..Le Pen, que na semana passada tinha ficado à frente em Nord-Pas--de-Calais-Picardie, ontem foi ultrapassada nesta corrida a dois por Xavier Bertrand, d"Os Republicanos, que ganhou com 58,10% dos votos. Esta era uma das regiões que a Frente Nacional pensava que poderia ganhar ontem. As outras duas eram Provence-Alpes-Côte d"Azur, que na semana passada foi conquistada por Marion Maréchal Le-Pen e ontem ganha por Christian Estrosi, d"Os Republicanos, e Alsace-Lorraine-Champagne-Ardenne, onde ontem o vice-presidente da Frente Nacional, Florian Philippot, perdeu para Philippe Richert..Com razões para sorrir, com Os Republicanos e seus aliados a vencerem sete regiões, Nicolas Sarkozy optou por chamar a atenção para o perigo que a extrema-direita representa. "A mobilização que se verificou hoje [ontem] não deve fazer esquecer a advertência a todos os responsáveis políticos verificada na primeira volta", disse o ex-presidente da República..A nível nacional, a união dos partidos da direita (em que se inclui Os Republicanos), e com os tais 91% dos votos contados, tinha obtido a preferência da maior parte dos eleitores - 40,53%. A união da esquerda, ou seja o PS e seus aliados, tinha 28,41% dos votos..Ministro a prazo.O PS de François Hollande e Manuel Valls conseguiu um resultado desastroso em relação a 2010, altura em que a esquerda conseguiu 54,1% dos votos a nível nacional. Mas acima das suas expectativas olhando para os resultados da primeira volta e tendo em conta que, ontem, os socialistas estavam fora da corrida em três regiões e, mesmo assim, com a ajuda dos seus aliados, saiu vencedor em cinco..Mas não destoando dos outros discursos da noite, o primeiro-ministro francês aproveitou o seu discurso para sublinhar que "o perigo da extrema-direita não foi eliminado". "Nesta noite, nenhum alívio, nenhum triunfalismo, nenhuma mensagem de vitória. O perigo da extrema-direita não foi eliminado. Não esqueci os resultados da primeira volta e de eleições passadas", afirmou. Manuel Valls declarou também que a união da esquerda permitiu ao seu PS ganhar várias regiões e saudou os eleitores que "responderam ao chamamento muito claro e valente, o da esquerda, para travar a extrema-direita"..Uma das cinco regiões conquistadas pelos socialistas e seus aliados poderá ter como consequência a remodelação do governo de Manuel Valls. Tudo porque a Bretanha foi ganha pelo ministro da Defesa, Jean-Yves le Drian, com 51% dos votos. Questionado sobre se, com esta vitória, irá continuar a ocupar a pasta da Defesa, Drian garantiu que a sua prioridade é a Bretanha, mas... "Disse que, se fosse candidato, seria para assumir esta presidência. No entanto, estamos a viver um estado de emergência, e o presidente da República deseja que eu continue a exercer essas funções pelo tempo necessário. E é ele que decidirá por quanto tempo continuarei ministro", esclareceu o socialista..[destaque:Na primeira volta, realizada na semana passada, a FN tinha ganhado em seis das 13 regiões francesas].De acordo com uma projeção da estação televisiva BFM TV, baseada na contagem de votos das mesas que encerraram em primeiro lugar e em sondagens à boca das urnas, Le Pen só obteve 42 por cento dos votos na região Nord-Pas-de-Calais-Picardie, apenas mais dois pontos percentuais que na primeira volta..[destaque:PRINCIPAIS REAÇÕES].Marine le Pen: "Seremos a principal força de oposição".A presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, grande derrotada da segunda volta das eleições locais em França, garantiu que o seu resultado eleitoral "desmascarou a mentira em que assenta o sistema político francês"..Sem reconhecer explicitamente a derrota de todos os seus candidatos, incluindo ela mesma, quando as projeções apontam a derrota da Frente Nacional em todas as regiões do país, Le Pen dirigiu-se aos seus apoiantes com uma mensagem de triunfo, porque o seu partido, disse, triplicou o número de vereadores em relação a 2010..[twitter:676119970636517376].Manuel Valls: "Nada de triunfalismos. O perigo da extrema-direita não foi eliminado"."Não esqueci os resultados da primeira volte e de eleições passadas", afirmou Valls. O chefe do governo francês considerou que a união da esquerda permitiu ao seu partido ganhar várias regiões e saudou os eleitores que "responderam ao chamamento muito claro e valente, o da esquerda, para travar a extrema-direita"..[twitter:676120998396239873].Sarkozy: "A primeira volta foi um aviso aos franceses".O líder da oposição conservadora em França, ex-presidente Nicolas Sarkozy, assegura que a derrota da Frente Nacional (FN) na segunda volta das eleições regionais "não deve esquecer a advertência da primeira", que deu vitória à extrema-direita.."A mobilização que se verificou hoje não deve fazer esquecer a advertência a todos os responsáveis políticos verificada na primeira volta", alertou Sarkozy que fez um apelo à unidade da direita para manter a linha de "recusar qualquer compromisso com os partidos extremistas", numa referência ao FN..[twitter:676123703625797632].Alain Juppé: "Derrota da FN é um sinal de boa saúde da nossa democracia".[twitter:676138059541389312].No total, mais de 45 milhões de franceses estavam registados para votarem na segunda volta das eleições regionais francesas.