Diretor da CIA diz que não tem informações de que Putin esteja doente

Diretor da CIA diz não existirem evidências que possam sugerir esse diagnóstico, brincando até que o presidente russo parece estar "demasiado saudável".
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Apesar da especulação e dos muitos rumores, não há informações de que Vladimir Putin esteja instável ou com problemas de saúde, garante o diretor da CIA.

Nos últimos meses foi avançada a hipótese de o presidente russo, que comemora o 70.º aniversário este ano, estar com problemas de saúde, possivelmente cancro. Em junho, o portal Newsweek citou três líderes dos serviços secretos dos Estados Unidos para noticiar que Putin teria feito um tratamento em abril a um cancro em fase avançada.

Contudo, William Burns, diretor da CIA, diz não existirem evidências que possam sugerir esse diagnóstico, brincando até que Putin parece estar "demasiado saudável".

"Há muitos rumores sobre a saúde do presidente Putin e, pelo que podemos apurar, ele é demasiado saudável", disse o diretor da CIA no Fórum de Segurança de Aspen, no estado norte-americano do Colorado.

A seguir, em resposta aos risos, acrescentou que esse não era um julgamento formal dos serviços secretos.

Burns, que trabalhou como embaixador em Moscovo, disse que observa e lida com o líder russo há mais de duas décadas.

Putin é "um grande crente no controlo, na intimidação e na vingança" e essas características foram reforçadas na última década, à medida que o seu círculo de conselheiros se contraiu, disse o chefe da CIA.

"Ele está convencido de que o seu destino como líder é restaurar a Rússia como uma grande potência. Ele acredita que a chave para fazer isso é recriar uma esfera de influência na vizinhança da Rússia e ele não pode fazer isso sem controlar a Ucrânia", acrescentou.

Burns viajou para Moscovo em novembro para alertar sobre as consequências de uma então eventual invasão da Ucrânia após os Estados Unidos terem recolhido informações sobre os planos russos, mas o diretor da CIA disse que saiu da Rússia "mais perturbado" do que quando chegou.

Os planos do presidente russo foram baseados em "suposições profundamente falhadas e algumas ilusões reais, especialmente sobre a Ucrânia e a vontade de resistir", disse o diretor da CIA.

"Putin acredita realmente na retórica dele. Eu ouvi-o dizer que a Ucrânia não é um país real em privado ao longo dos anos. Mas os países reais reagem e foi isso que os ucranianos fizeram", concluiu.

Vladimir Putin exibiu durante anos uma imagem de masculinidade e vitalidade, aparecendo a praticar vários desportos e a patentear uma forma física notável, mas recentemente tem mostrado alguns sinais de medo físico, como foi o caso da reunião em que se sentou numa ponta da mesa a vários metros de outras pessoas.

Ainda antes do início da guerra, a 7 de fevereiro, o presidente russo mostrou um comportamento diferente do habitual numa reunião com o homólogo francês, Emmanuel Macron. "Não houve aperto de mãos, nem abraço caloroso, e percebemos isso", referiu o funcionário do escritório do Diretor dos Serviços de Informações Nacionais.

Durante as últimas semanas, especulou-se muito sobre o estado de saúde de Putin. Alguns observadores admitiram que o presidente russo pudesse ter Parkinson, enquanto outros insistiam que podia tratar-se de uma dor causada pelo treino com armas da KGB, uma vez que o líder do Kremlin tem mostrado uma postura corporal rígida.

Também o chefe dos serviços secretos da Ucrânia, o major-general Kyrylo Budanov, disse recentemente à Sky News que Putin estava em "condições psicológicas e físicas muito frágeis e muito doente", acrescentando havia planos dentro do Kremlin para derrubar o líder russo.

No entanto, as conclusões por parte dos serviços secretos de que um líder internacional rival estava com uma saúde frágil não são propriamente uma novidade. Também aconteceu com Osama bin Laden e Saddam Hussein, e em ambas as ocasiões não passaram de rumores.

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