Ex-presidente norte-americano à saída do tribunal em Nova Iorque, após uma audiência de cerca de 90 minutos.
Ex-presidente norte-americano à saída do tribunal em Nova Iorque, após uma audiência de cerca de 90 minutos.EPA/David Dee Delgado

Trump promete ir a tribunal de dia e fazer campanha durante a noite

Primeiro julgamento criminal do ex-presidente começa a 25 de março, em Nova Iorque. Na Geórgia, relação amorosa da procuradora ameaça destruir processo contra o republicano.
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Na corrida à Casa Branca, o dia em que há mais eleições primárias é conhecido como “Super Terça-feira” - este ano será a 5 de março, quando 15 estados vão a votos. Mas no calendário judicial do ex-presidente Donald Trump - que enfrenta um total de 91 crimes em quatro processos criminais diferentes - bastaram duas audiências ao mesmo tempo para os media batizarem o dia de “Super Quinta-feira”. Que terminou com resultados mistos para o republicano, com uma derrota em Nova Iorque e ainda tudo em aberto na Geórgia. 

Trump esteve na sala de audiência em Nova Iorque, onde o juiz rejeitou os pedidos da defesa para arquivar o caso no qual é acusado de falsificar documentos financeiros na campanha de 2016. Tudo para esconder os alegados pagamentos feitos à estrela pornográfica Stormy Daniels, em troca do seu silêncio em relação a um suposto caso extraconjugal. Trump arrisca uma pena de até quatro anos de prisão.

A escolha dos jurados vai começar, como previsto, a 25 de março. Este será o seu primeiro julgamento criminal, já que outro processo, de Washington, sobre os seus esforços para evitar a validação das eleições, aguarda um recurso. E não começará a 4 de março, como inicialmente tinha sido previsto. 

À saída da audiência, Trump disse que estará presente no tribunal de dia e fará campanha durante a noite. “Eles querem manter-me ocupado para que eu não possa fazer uma campanha tão forte, mas talvez não seja preciso fazermos uma campanha tão forte porque o outro lado é incompetente”, afirmou, lamentando ter que ficar sentado no tribunal durante meses. “Acho que é ridículo, não é justo.” 

A estimativa é que o julgamento possa demorar seis semanas, em plena campanha para as primárias - a convenção republicana está marcada para 15 a 18 de julho. 

Geórgia

A cerca de 1400 quilómetros de distância, num tribunal em Atlanta, os advogados do ex-presidente pareciam estar a ser mais bem sucedidos. A ideia da defesa é afastar a procuradora Fani Willis do caso em que Trump é acusado de tentativa de reverter o resultado eleitoral de 2020, na Geórgia. Tudo por causa da relação amorosa da procuradora com um dos procuradores especiais que contratou para o caso, Nathan Wade. E que a defesa do candidato republicano alega ter “contaminado” todo o processo.

Willis tem alegado que a ligação amorosa não põe em causa a sua capacidade para investigar Trump. Wade, que pediu o divórcio um dia depois de ser contratado por Willis em novembro de 2021, insistiu, quando foi chamado a testemunhar, que o caso só começou “por volta de março de 2022”. Isto depois de a testemunha anterior, uma amiga da procuradora, ter dito que tinha começado em 2019. A relação terminou no verão de 2023.

A defesa de Trump alega que Willis beneficiou da contratação de Wade, questionando sobre quem pagava as viagens de ambos. Ele alegou que os gastos no cartão de crédito dele eram compensados pela procuradora diretamente em dinheiro, daí não haver registo. “Você tem um pequeno monte de dinheiro acumulado em casa?”, questionou a defesa.

O eventual afastamento de Willis obrigaria a nomear outro procurador, o que atrasaria o processo. Em última instância, o novo procurador pode mostrar-se indisponível para avançar ou simplesmente retirar as acusações contra Trump. 

susana.f.salvador@dn.pt 

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