Realizou-se ontem em Telavive um protesto pela libertação dos reféns.
Realizou-se ontem em Telavive um protesto pela libertação dos reféns.EPA/ABIR SULTAN

Advogado das tropas israelitas alerta para “condutas inaceitáveis” de militares

Presidente de Israel criticou ministro das Finanças, que disse que libertar reféns não é a prioridade.
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O principal advogado das Forças de Defesa de Israel alertou ontem para “casos de conduta inaceitáveis” entre os militares, em carta dirigida aos comandantes, que lideram os batalhões de combate na Faixa de Gaza. “Encontramos casos inaceitáveis de conduta que se desviam dos valores e protocolos”, alertou Yifat Tomer-Yerushalmi, que enumerou “declarações inapropriadas”, mas também “uso injustificado da força, inclusive contra detidos, saques, como o uso ou remoção de propriedade privada para fins não operacionais, e destruição de propriedade civil”.

Nas últimas semanas, especialmente nos meios de comunicação minoritários israelitas críticos da guerra em Gaza, como o Haaretz ou o +972, relataram casos de saques e destruição indiscriminada de edifícios como hospitais, escolas ou mesquitas no enclave. “Alguns incidentes ultrapassam o âmbito disciplinar e ultrapassam o limiar criminal”, alertou Tomer-Yerushalmi, garantindo tratar-se de casos isolados e que serão investigados porque “não têm lugar nas Forças de Defesa de Israel”.

Na terça-feira, o chefe do Estado-Maior do Exército, Herzi Halevi, lembrou às tropas que devem continuar a agir “como seres humanos”, uma vez que, ao contrário do inimigo, disse, ainda mantêm a sua “humanidade”. “Devemos ter cuidado para não usar a força onde não é necessária, para distinguir entre um terrorista e quem não o é, para não levar nada que não seja nosso (uma lembrança ou armas) e para não gravar vídeos de vingança”, alertou.

Também o governo israelita, em particular o ministro das Finanças, foi ontem chamado a atenção, pela voz do presidente de Israel, que alertou para o surgimento de um “discurso muito desrespeitoso” sobre os sequestrados pelo Hamas, após o governante ter afirmado que a libertação dos reféns não era o mais importante. “Começa a desenvolver-se um discurso muito desrespeitoso em torno dos reféns e das suas famílias”, declarou Isaac Herzog, acrescentando que “não há mandamento maior no judaísmo do que a redenção dos cativos”, segundo declarações citadas pelo jornal israelita Yedioth Ahronoth.

“Podemos debater as formas de atingir esse objetivo, mas peço às pessoas, e especialmente aos governantes eleitos, que tenham em conta os sentimentos das famílias dos reféns”, prosseguiu o chefe de Estado, sublinhando que “é preciso saber comportar-se com a maior sensibilidade e compreender que há alturas em que há coisas que não devem ser ditas em público”.

O ministro das Finanças, o ultranacionalista Bezalel Smotrich, afirmou na terça-feira que a libertação dos reféns do Hamas não era o mais importante e que o desmantelamento total do grupo islamista devia ser a prioridade.

Numa entrevista à estação de rádio Kan, ao ser questionado se a libertação dos reféns deveria ser uma prioridade, Smotrich afirmou que a questão “não é a mais importante”. “Porquê fazer uma competição? O que é importante agora? O Hamas tem de ser destruído”, disse.

Após estas polémicas declarações, Smotrich lançou uma publicação nas redes sociais em que esclareceu que “só destruindo o Hamas e ganhando a guerra” se poderá “devolver todos os reféns”.

com agências

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