PS quer saber, nomeadamente, que estudos suportam a decisão do Governo de “não investir tanto em comboios” .
PS quer saber, nomeadamente, que estudos suportam a decisão do Governo de “não investir tanto em comboios” .Pedro Correia/Global Imagens

PS exige respostas. Está em risco a alta velocidade?

Deputados socialistas querem que Miguel Pinto Luz esclareça “inversão” de estratégia. Às perguntas do PS, o Governo responderá “dentro do prazo”. Ministro das Infraestruturas diz não ser preciso “investir tanto em comboios” e defende operadores privados.
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A conclusão do PS é simples: “Limitar artificialmente a CP no negócio da alta velocidade distorcerá a concorrência e criará uma reserva de mercado sem benefício para o interesse público, tendo como resultado reduzir a empresa a um papel secundário ou de último recurso, que prejudicará o serviço integrado e comprometerá o futuro da empresa.”

E foi uma frase de Miguel Pinto Luz, no passado dia 24 de julho, que levantou, agora, as dúvidas socialistas. Nesse dia, no Parlamento, o ministro das Infraestruturas afirmou que a CP não vai comprar tantos comboios de alta velocidade quanto gostaria, pois o Governo defende que outras empresas devem também entrar nesse mercado para criar concorrência.

“Não vamos comprar tantos comboios quanto a CP queria. A CP tinha a ambição de comprar comboios que lhe dariam uma quota de mercado de 80% e não acho isso saudável para o mercado”, disse Miguel Pinto Luz, sem adiantar mais informações. 

Perante esta abertura ao “mercado”, o PS enviou oito perguntas ao ministro e aguarda pela respostas que considera “determinantes para o futuro do transporte ferroviário em Portugal.”

“A posição manifestada pelo ministro das Infraestruturas foi articulada e consensualizada com a CP, considerando o plano de negócios da empresa?”; “Quantos comboios são necessários para a CP desenvolver a sua atividade de forma sustentável na alta velocidade? A redução da oferta pública não impactará o preço dos bilhetes?”; “Esta inversão de sentido coloca em risco o início atempado e estável da operação da CP na alta velocidade, dado o processo moroso de aquisição de comboios?”; “Quando será lançado o concurso de aquisição de comboios que estava em desenvolvimento?”; “Qual é a quota de participação da CP que o ministro considera melhor defender o interesse público e dos passageiros?”; “Esta posição baseia-se em algum estudo ou avaliação? Existe algum exemplo internacional que a suporte?”; “O Governo considera que a CP não deve concorrer nos mercados internacionais, como em Espanha?”; “A redução no número de comboios prejudica o desenvolvimento da indústria ferroviária portuguesa e as ambições das empresas deste cluster ?”

Fonte do gabinete do Miguel Pinto Luz garantiu ao DN que o ministro “vai responder”, mas “dentro dos prazos estipulados”. Traduzindo: os socialistas podem ter de esperar pelo menos um mês.

O PS, que elogia os seus “últimos oito anos” de governação na CP, considera que a entrada “de operadores privados em concorrência aberta é bem-vinda”, mas, avisam, que sendo “o operador público fundamental” não se pode “comprometer o interesse público”.

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