Apanhado de surpresa a 7 de outubro com a incursão de centenas de militantes do Hamas no sul de Israel, depois de alegadamente ter rejeitado os rumores sobre os planos do grupo terrorista palestiniano, o Governo israelita reagiu de imediato com uma declaração de guerra. Três meses depois, ainda está longe de cumprir os objetivos: desmantelar o Hamas, recuperar os reféns levados naquele dia e garantir que a Faixa de Gaza não representa uma ameaça à sua segurança. E após ter mobilizado milhares de reservistas para a guerra, vê-se obrigado a ajustar a estratégia para que eles possam regressar aos seus empregos normais e aliviar a economia, diante de um cenário de muitos mais meses de conflito..Tudo começou com o ataque do Hamas. Em poucas horas, militantes do grupo tinham matado 695 civis, entre os quais 36 crianças, e 373 forças de segurança e militares em incursões em kibbutz (comunidades agrárias) e num festival de música, segundo os dados de Israel. Além disso, levaram mais de 240 reféns para Gaza, havendo ainda denúncias de violência sexual..Os bombardeamentos ao enclave palestiniano, controlado pelo Hamas desde 2007, começaram no próprio dia - com a incursão terrestre a ter início a 27 de outubro -, parando só na última semana de novembro numa pausa humanitária que permitiu a troca de reféns por palestinianos presos em Israel. Foram libertados cerca de uma centena de reféns, a maioria mulheres e crianças. Acredita-se que o Hamas ainda tenha 132 reféns (nem todos vivos), com as famílias a exigirem ao Governo israelita que faça mais para a sua libertação. Cerca de 175 soldados israelitas já morreram desde o início da operação terrestre..Entretanto, os bombardeamentos já causaram a morte de quase 23 mil palestinianos na Faixa de Gaza (a maioria mulheres e crianças), segundo as contas do Governo controlado pelo Hamas, e destruíram o enclave, obrigando 2,3 milhões de pessoas a fugir para sul - que também não está imune aos ataques. As Nações Unidas têm alertado para a situação humanitária grave, com os bens de primeira necessidade a entrarem a conta-gotas apesar dos apelos da comunidade internacional e da pressão até dos EUA..susana.f.salvador@dn.pt