Irão diz ter localizado presidente após ter pedido ajuda internacional
A União Europeia ativou o serviço de gestão de emergências Copernicus a pedido de Teerão, enquanto as equipas de busca e salvamento vasculhavam uma zona montanhosa envolta em nevoeiro, na sequência de um acidente com o helicóptero em que seguia o presidente Ebrahim e outros dirigentes de topo como o ministro dos Negócios Estrangeiros Hossein Amir Abdoulahian. Países como a Turquia, o Azerbaijão, a Arménia, mas também a rival Arábia Saudita, entre outros estados do Golfo, foram lestos em oferecer meios para a deteção da aeronave -- uma ajuda que poderá já não ser necessária, uma vez que o exército iraniano disse ter localizado a sua posição, segundo a agência iraniana IRNA.
Ainda de acordo com a mesma fonte, o vice-presidente Mohsen Mansouri disse que duas pessoas que seguiam no helicóptero contactaram as equipas de resgate, embora não tenha adiantado sobre o estado do presidente.
No entanto, 12 horas depois de o helicóptero ter desaparecido, não havia novidades sobre a localização nem o estado dos passageiros, tendo inclusive o presidente do Crescente Vermelho, Pir-Hossein Koulivand, afirmado à estação televisiva IRINN que as equipas de busca e salvamento continuavam sem determinar o lugar onde se encontra o aparelho.
O helicóptero era um dos três que viajavam na província iraniana do Azerbaijão Oriental quando o presidente regressava da inauguração de uma barragem no rio Aras, numa cerimónia conjunta com o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev. Pelo menos 40 equipas de salvamento dirigiram-se para o local do desaparecimento, uma área de floresta numa região montanhosa de Dizmar, perto da cidade de Varzaghan. Além das dificuldades do terreno, as equipas viram-se confrontadas com a fraca visibilidade, como foi demonstrado pelas imagens transmitidas pela televisão, com os meios enviados no meio de denso nevoeiro.
O ministro do Interior, Ahmad Vahidi, descreveu o acidente como uma “aterragem difícil devido às condições meteorológicas”. Vahidi afirmou que foi “difícil estabelecer comunicação” com a aeronave que transportava Raisi. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Hossein Amir-Abdollahian, estava também a bordo, juntamente com o governador do Azerbaijão Oriental e o principal imã da província, segundo a agência noticiosa IRNA. Os outros dois helicópteros aterraram em segurança na cidade de Tabriz, no noroeste do país.
Execuções em massa
Ao chegar à presidência, Ebrahim Raisi disse na sua primeira conferência de imprensa que a prioridade era a de melhorar as relações com os vizinhos. A inauguração da infraestrutura - uma obra conjunta - com o líder azerbaijano pode ser visto nesse prisma, tal como um acordo para reatar relações com a Arábia Saudita, mas o Irão mantém relações complicadas com outros países da região, do Afeganistão a Israel, enquanto desenvolve um eixo com atores do iémen, Iraque, Líbano e Síria.
No campo doméstico, o currículo é, no mínimo, controverso. Visto como o preferido do aiatola para ser o seu sucessor, Raisi, de 63 anos, é conhecido como o “carniceiro de Teerão” pelo seu papel de opressor, quando quando era procurador-adjunto do Tribunal Revolucionário de Teerão: é acusado de ter sido uma peça chave nas execuções em massa de militantes dos Mujaedines do Povo (MEK) e de outros grupos de esquerda em 1988. Após o fim da guerra Irão-Iraque, o então guia supremo Ruhollah Khomeini nomeou Raisi para o chamado “comité da morte”, constituído por quatro homens, para levarem a cabo um plano de execução denaquele ano. Em resposta às críticas, Raisi diz ter sempre agido em defesa dos direitos humanos, mas a repressão esteve à vista na onda de protestos Mulher, Vida, Liberdade.
Na linha de sucessão
O primeiro vice-presidente Mohammad Mokhber assumirá interinamente o cargo presidencial em caso de morte de Raisi, embora tenha de passar pela aprovação do guia supremo, Ali Khamenei. Mokhber, de 69 anos, é o mais antigo dos 12 vice-presidentes. Nos termos do artigo 131.º da Constituição iraniana, um conselho de dirigentes dos poderes executivo, legislativo e judicial, constituído pelo primeiro vice-presidente, pelo presidente do parlamento e pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, seria responsável pela organização de eleições no prazo de 50 dias.
Mokhber foi alvo de sanções ocidentais.
Em 2010, a União Europeia sancionou Mokhber pelas ligações a um programa de mísseis balísticos e em 2021, foi a vez de os EUA aplicarem sanções a Mokhber pelo papel financeiro naquilo a que o Tesouro norte-americano chamou de “corrupção sistémica e má gestão”.
Outros acidentes com helicópteros
O mais recente acidente de helicóptero com um governante ocorreu na Ucrânia, em janeiro do ano passado. O resultado da queda da aeronave num jardim de infância em Brovary, na região de Kiev, foi trágico: além da morte do ministro do Interior Denis Monastyrsky, o mesmo fim tiveram o vice-ministro Yevhen Yenin, o secretário de Estado Yuri Lubkovych, e os restantes sete ocupantes e tripulantes. Além disso, atingiu mortalmente mais quatro pessoas, uma delas uma criança.
Em 2009, Y.S. Reddy, o ministro-chefe do estado indiano de Andra Pradexe, morreu junto de outras quatro pessoas em resultado da queda de um helicóptero daquele estado com 50 milhões de habitantes.
Seis anos antes, o primeiro-ministro da Polónia Leszek Milller sobreviveu (com duas vértebras fraturadas), bem como o resto dos ocupantes do helicóptero em que seguiam, a uma aterragem de emergência depois de o motor ter falhado devido à formação de gelo.
Atualizado às 23.55

