O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu esta sexta-feira ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que “mostre liderança” e ajude a convencer os aliados ocidentais a deixarem usar as armas de longo alcance que estão a fornecer contra alvos no interior da Rússia. Zelensky foi o primeiro líder estrangeiro a participar em pessoa num Conselho de Ministros britânico desde o presidente norte-americano Bill Clinton, em 1997..“A Ucrânia está, e estará, sempre no coração da agenda deste Governo e, por isso, é justo que o presidente Zelensky faça um discurso histórico para o meu Gabinete”, disse Starmer, antes da reunião. O líder ucraniano foi recebido com uma ovação pelos membros do Governo trabalhista, agradecendo o privilégio de estar presente..Na sua intervenção, Zelensky renovou os pedidos para o reforço da capacidade de combate de longo alcance. “Se as restrições ao uso de armas ocidentais contra o Exército russo forem levantadas, podemos atingir mais longe do que só junto à fronteira”, disse, alegando que isso permitirá aos ucranianos protegerem-se das ofensivas e das bombas russas. “Peço-lhe que mostre liderança nisto e convença outros parceiros a removerem os limites”, defendeu..Após meses de guerra e receio de que o fornecimento de mísseis de longo alcance pudesse levar a uma escalada do conflito, os aliados ocidentais acabaram por ceder e transferir essas armas para Kiev. Contudo, com indicações de que deviam ser usados de modo defensivo, tendo os ucranianos já atingido vários alvos russos, mas dentro da Ucrânia ou junto à fronteira..“Estamos a providenciar armas à Ucrânia para a defesa da sua soberania. E isso não os impede de atingir alvos na Rússia”, disse o ministro da Defesa britânico, John Healey, à BBC. “Mas isso deve ser feito pelos ucranianos e deve ser feito dentro dos parâmetros dos limites da lei humanitária internacional”, acrescentou..Noutra entrevista, à Times Radio garantiu que o Reino Unido irá continuar a ajudar a Ucrânia todos os anos até ao final da década. “Se partirmos do princípio de que a defesa do Reino Unido começa na Ucrânia e se [o presidente russo, Vladimir] Putin vencer na Ucrânia, ele não vai parar por aí, por isso temos de ficar ao lado da Ucrânia. Estamos determinados a fazer isso.”