Paulo Portas atacou os adversários da AD, à esquerda e à direita, num discurso muito virado para o líder do PS, Pedro Nuno Santos.
Paulo Portas atacou os adversários da AD, à esquerda e à direita, num discurso muito virado para o líder do PS, Pedro Nuno Santos.ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Portas ameaça: "Ou a AD ganha as eleições ou teremos o primeiro-ministro mais esquerdista"

Antigo dirigente do CDS, durante a Convenção Por Portugal, traçou um cenário para o país caso a aliança do PSD, CDS e PPM não ganhe as eleições: "Seria o Governo mais radicalizado desde 1976" com "o BE e o PCP sentados no Conselho de Ministros".
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O antigo governante do Executivo de Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, começou a sua intervenção na convenção da Aliança Democrática (AD), este domingo, com uma receita para o PS, afirmando que seria "bom para Portugal" e para os socialistas "ter uma cura da oposição".

Paulo Portas, num discurso muito virado para o líder socialista, Pedro Nuno Santos, e para aquilo que foi considerando como os perigos de uma eventual vitória do PS, relembrou que, nas recentes eleições para líder do partido, "o candidato que defendia acordos ao centro perdeu" enquanto "o candidato que defendia uma geringonça 2.0" e uma "guinada à esquerda" venceu. Por este motivo, o antigo dirigente centrista deixou um aviso: "Ou a AD ganha as aleições ou teremos um primeiro-ministro mais esquerdista e com o BE e o PCP sentados no Conselho de Ministros", que, na sua perspetiva, "seria o Governo mais radicalizado desde 1976". 

O termo geringonça foi adotado por Portas, aludindo a uma máquina desajeitada, quando PS, BE e PCP estabeleceram um acordo pós-eleitoral de governação, em 2015.

Apontando à direita, Paulo Portas referiu que, "de premeio, existe uma ameaça de moção de rejeição a um Governo da AD", sendo que "o partido proponente diz-se de direita e pede apoio" a todos os outros partidos para "apoiar esta decisão". 

Para justificar a necessidade de estabilidade governativa em Portugal, Paulo Portas evocou o cenário internacional, com "três guerras em curso". "Portugal não está isolado no contexto externo" e "Portugal não tem nenhuma vantagem em acrescentar instabilidade cá à instabilidade lá fora", acrescentou, avisando que "uma geringonça 2.0 incluiria parceiros no Conselho de Ministros que estão em rota de colisão com o que se passa lá fora". 

Alertando que, em 2024, "haverá um menor crecimento" da economia portuguesa, Portas lembrou que a inflação está agora mais baixa, "facto que se deve à independência dos bancos centrais", defendeu, e que teve como efeito "ajudar o Ministério das Finanças a reduzir a dívida pública".

"Daqui para a frente, Portugal só conseguirá reduzir a dívida na medida em que aumentar o seu crescimento", avisou, prescrevendo que "os cidadãos deverão" equacionar "qual dos projetos de Governo está mais perto de conseguir mais confiança dos investidores" e "maior capacidade de reduzir a nossa dívida". "Não é muito difícil tirar uma conclusão", afirmou, defendendo que "uma geringonça 2.0 gerará menos confiança, menos investimento, menor crescimento". "O mesmo sucede se no dia 10 de março não fecharmos a crise e em vez disso abrirmos outra", avisou.

Num balanço que implicou parafrasear o antigo presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, Paulo Portas considerou que "há, portanto, uma pergunta que deve ser feita à inteligência dos eleitores": "Estamos melhor ou pior do que há dois anos quando o PS recebeu a sua maioria?" 

"Está pior a saúde, está pior a educação" e "está pior a segurança", respondeu a si próprio, sublinhando que "estão mais sacrificadas as forças de segurança a quem devemos o respeito pela lei e pela ordem". "Está pior a execuçao dos fundos e está pior a contigência com quem temos de executar o Plano de Recuperação e Resiliência", sublinhou. "Na maioria dos critérios de avaliação é evidente que Portugal ficou pior com o início da maioria do PS", criticou. "Estamos onde sempre estivemos." 

Referindo-se a "uma operação de prestidigitação política que deixa qualquer português intrigado, para não dizer assombrado", Paulo Portas comparou o PS a "um grupo de marcianos que não viveram neste planeta nem neste país e não estiveram sentados no Conselho de Ministros nos últimos oito anos e querem apresentar-se como turistas".

Criticando Pedro Nuno Santos em vários pontos, acusando-o de não ver, não se lembrar e de não estar lá, o antigo dirigente centrista disse que, durante a governação do PS, "a carga fiscal aumentou muito e não aumentou a eficiência dos serviços públicos"

"Pedro Nuno Santos não se lembra, não leu, não estava lá", rematou.

"Não sabia das condições de indemnização à gestora da TAP, não sabia das condições em que a gestora foi contratada, não sabia da compra de ações clandestina dos CTT", questionou de forma retórica. "Sabia", afirmou, recuperando a ideia de que "quem colocou no memorando da Troika a privatização dos CTT e da TAP foi um Governo do PS". 

"Termino como comecei: Vamos lá mudar isto”, concluiu.

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