Ainda falta mais de duas semanas para se começar a jogar a final da Liga dos Campeões de África, mas já há uma certeza: o treinador vencedor é português. Resta saber se será Miguel Cardoso, antigo técnico de Rio Ave, Nantes, Celta de Vigo e AEK que agora orienta os sul-africanos do Mamelodi Sundowns; ou Alexandre Santos, antigo adjunto de José Peseiro há meia década em África, agora no comando dos marroquinos do FAR Rabat.A decisão será a duas mãos: o primeiro jogo será em Pretória (15 de maio) e o segundo em Rabat (24 de maio).Miguel Cardoso, 53 anos, vai tentar mostrar que à terceira é de vez e não que não há duas sem três, já que vai para a terceira final seguida da Liga dos Campeões de África, após perder ao leme dos tunisinos do Espérance de Tunis diante dos egípcios do Al Ahly (1-0 nas duas mãos), em 2023-24, e já pelo Mamelodi Sundowns diante dos também egípcios do Pyramids (2-3) na época passada.Do outro lado, para Alexandre Santos, 49 anos, será uma estreia, depois de ter guiado os angolanos do Petro de Luanda às meias-finais em 2021-22.Os dois clubes, refira-se, têm tradição na prova. O FAR Rabat, braço desportivo das forças armadas de Marrocos, foi campeão africano em 1985. Já o Mamelodi Sundowns venceu o cetro continental em 2016 e foi finalista vencido em 2001 e 2025.Um vai juntar-se a lote restritoCuriosamente, a primeira final dos sul-africanos foi perdida para um treinador português, Manuel José, o único técnico luso que já ergueu o troféu. Fê-lo em 2001, 2005, 2006 e 2008, sempre ao leme do Al Ahly, tendo ainda sido finalista vencido em 2007. Mais recentemente, Jaime Pacheco guiou o Zamalek à final de 2010, mas perdeu para o rival Al Ahly.Miguel Cardoso ou Alexandre Santos, um deles vai juntar-se ao restrito lote de treinadores portugueses campeões continentais. Além de Manuel José, estão nesse pequeno clube José Mourinho, vencedor de duas Liga dos Campeões Europeus (pelo FC Porto em 2003-04 e pelo Inter de Milão em 2009-10); Abel Ferreira, que guiou o Palmeiras a duas Taças Libertadores da América (2020 e 2021); Artur Jorge, campeão europeu ao leme do FC Porto em 1986-87; Jorge Jesus, vencedor da Libertadores pelo Flamengo em 2019; Artur Jorge, campeão da Libertadores em 2024 ao comando do Botafogo; e Leonardo Jardim, que em 2021 levou o Al Hilal à conquista da Liga dos Campeões da Ásia. Há ainda o caso de André Villas-Boas, que fez parte da campanha vitoriosa do Chelsea rumo ao título europeu em 2011-12, mas foi substituído a meio dessa caminhada pelo italiano Roberto Di Matteo.Nos quatro cantos do mundoMiguel Cardoso e Alexandre Santos não são os únicos treinadores portugueses com possibilidades de vencer um troféu internacional nesta temporada.Na Ásia, o Al Nassr de Jorge Jesus (com Cristiano Ronaldo e João Félix no plantel) está na final da Liga dos Campeões 2, equivalente à Liga Europa, tendo duelo agendado com os japoneses do Gamba Osaka a 17 de maio em Riade, na Arábia Saudita.Por falar em Liga Europa, na segunda competição de clubes mais importante do velho continente ainda está em prova um treinador português, Vítor Pereira, cujo Nottingham Forest recentemente eliminou o FC Porto e hoje disputa a primeira-mão das meias-finais, diante do Aston Villa, também de Inglaterra - na outra semifinal, o Sp. Braga defronta os alemães do Friburgo (ver página 4).Também nas meias-finais está o Los Angeles FC do luso-canadiano Marc dos Santos na Liga dos Campeões da CONCACAF. Pela frente estão os mexicanos do Toluca. Mais atrasada está a Libertadores, na América do Sul, mas há três treinadores portugueses em prova: Leonardo Jardim (Flamengo), Artur Jorge (Cruzeiro) e Abel Ferreira (Palmeiras). Já na secundária Taça Sul-Americana estão Franclim Carvalho (Botafogo) e Luís Castro (Grêmio).