Caso os ministros das Finanças da UE discordem da formulação adotada por Moscovici e Dombrovskis, que hoje remeteram ao Ecofin uma avaliação à execução orçamental no período "entre 2013 e 2015", o processo "para nesse momento", adiantou fonte europeia ao DN/Dinheiro Vivo. Mas, a posições dos ministros não são consensuais e não se espera que Berlim, por exemplo, assuma uma posição favorável a Portugal ou a Espanha..Fontes contactadas em Bruxelas acreditam ainda que o ministro alemão deverá contar com o apoio de diversos países, nomeadamente do norte da Europa, tradicionalmente apoiantes das posições adotadas no conselho, pelo governo alemão..Normalmente, nas reuniões do Ecofin, as decisões "não são colocadas a votação", afirmou um diplomata ao DN/Dinheiro Vivo, frisando que por se tratar de um tema "sensível", não quer dizer que, neste caso, a decisão não possa vir a ser adoptada pelo voto dos ministros das Finanças..Para serem aprovadas, as decisões requerem geralmente maioria qualificada, ou seja, "55% dos países, o que, atualmente, com 28 países da UE, significa 16 países que representem, pelo menos, 65% da população total da UE"..António Costa pode, porém, organizar uma minoria de bloqueio, precisando para tal de reunir apoios de pelo menos quatro países, que no seu conjunto reunam 35% da população total da UE..Tendo em conta as posições manifestadas publicamente por governantes nacionais, Portugal poderia contar com o apoio de França, Itália, Espanha e Grécia. Centeno "não deverá poder votar sobre Portugal"..As posições nomeadamente do governo francês e do italiano "não são claras", neste momento. Mas, assumindo que Costa conseguiria convencer François Hollande e Matteo Renzi para mandatarem os seus ministros das Finanças, para se juntarem à minoria de Bloqueio, em princípio, Portugal estaria livre do processo de sanções..França tem 13,04% da população europeia, Itália tem 12,07%, Grécia tem 2,13% e Espanha tem 2,04% e são suficientes para constituírem a chamada "minoria de bloqueio"..Luis de Guindos não poderá votar por Espanha e governo espanhol poderia, posteriormente, esperar que Lisboa retribua, juntando-se a Paris, Roma e Atenas, para bloquear a decisão contra Espanha. No entanto, Portugal com 2,04% da população europeia, deixa a minoria de bloqueio aquém do limite mínimo de 35% da população europeia, deixando Espanha sozinha, no caminho da Comissão Europeia, para ser alvo de sanções..Desde o início que os processos têm sido apresentados em conjunto e, por essa, razão outra fonte, contactada pelo DNDinheiro Vivo, assume que pode ser "pouco plausível" que Espanha fique isolada e Portugal escape..A menos de uma semana da reunião do Ecofin, para a qual já foi agendada a discussão sobre o procedimento dos défices excessivos a Portugal e a Espanha, reina a incerteza, com a possibilidade de não ser aquele modelo possível para garantir o bloqueio..António Costa admite, por exemplo, que as regras aplicáveis para a votação possam ser as do pacto orçamental. Nesse caso será necessária uma maioria, para bloquear a decisão, tornando mais difícil reunir votos favoráveis a Portugal e a Espanha..Em Bruxelas