O diretor criativo da Valentino, Pierpaolo Piccioli, no final da apresentação da coleção Valentino em

moda

Valentino deixa as peles. É o que a moda quer

A Maison Valentino é a mais recente marca de moda de luxo a declarar que deixará de usar peles verdadeiras a partir de 2022. E já chega tarde

A casa de moda italiana Valentino vai deixar de criar e fabricar peças de vestuário com pele a partir de 2022, anunciou a marca, que se prepara para reorganizar e concentrar as suas coleções numa única etiqueta, em 2024. Adeus Red Valentino. Adeus, Valentino Polar... Tudo será apenas Valentino.

"O conceito sem peles está perfeitamente alinhado com os valores da nossa empresa. Estamos a avançar na procura de diferentes materiais com a perspetiva de uma maior atenção ao ambiente para as coleções dos próximos anos", disse a empresa através de um comunicado divulgado pelos meios de comunicação social italianos.

A última coleção da Valentino a incorporar peles no seu vestuário será para a época outono-inverno 2021-2022, e com esta mudança na política da firma fechará a Valentino Polar, com sede em Milão, que é propriedade da Valentino desde 2018.

A casa de moda terminará também a marca Red Valentino, a partir da estação outono/inverno 2023-2024, com o propósito de "concentrar todas as energias numa única etiqueta" e "redefinir o próprio posicionamento competitivo da marca".

Um dos objetivos desta alteração de estrutura é concentrar esforços na marca e permitir ao seu diretor criativo, Pierpaolo Picciol, focar-se na linha principal.

"A visão estética do nosso diretor criativo - combinada com o espírito artesanal e a excelência da manufatura - harmoniza com as novas tecnologias e futuros objetivos", disse Jacopo Venturini, CEO do fundo Mayhoola, do Qatar, que detém a empresa fundada nos anos 60 por Valentino Garavani e Giancarlo Giametti.

Internamente, a Maison Valentino já está a trabalhar com os sindicatos para abordar as mudanças organizacionais dentro da empresa causadas por estas decisões.

Na senda de outras marcas de luxo

Martina Pluda, diretora da organização Humane Society International, que defende os direitos dos animais, disse que a decisão de Valentino "é um grande prego no caixão do comércio da crueldade".

Quanto ao fim do uso de peles, chega tarde - como podem argumentar várias marcas e empresas que já encetaram este caminho. Em 2018, a Gucci disse deixaria de usar peles; em 2020, a coleção de Primavera-Verão de Prada usou pela primeira vez peles falsas. Outras seguem estes passos: Versace e Armani, Burberry, Chanel, Michael Kors e Ralph Lauren. Há um mês tinham sido as marcas Alexander McQueen e Balenciaga, a tomar a decisão. Ambas são detidas pelo conglomerado de luxo Kering, onde apenas duas casas ainda não fizeram este momento: Saint Laurent e Brioni.

O outro conglomerado de luxo, o grupo LVMH - que tem no seu portefólio marcas como Louis Vuitton, Celine, Dior, Fendi ou Stella McCartney - lançou em 2019 um guia com orientações quanto ao uso de materiais de origem de animal. Vai na direção de um consumo mais sustentável. Em 2025, a empresa pretende uma redução do impacto ambiental do uso de materiaos de origem animal". No mesmo ano, o estado da Califórnia baniu o uso de peles verdadeiras no vestuário.

"Como muitos outros designers, a Valentino sabe que usar pele o faz parecer antiquado e sem toque, "disse a diretora da Humane Society International, citada pela AFP, atribuindo À indústria da moda a morte de 100 milhões de animais por ano".

As notícias chegam no momento em que vários designers de moda de Londres se unem para que o Reino Unido seja o primeiro país a banir a venda de artigos de pele. Entre os signatários desta medida estão a própria Stella McCartney, Vivienne Westwood ou Erdem Moralioglu.

Numa carta que ainda espera resposta do primeiro-ministro Boris Johnson, diz que a indústria da moda está a evoluir para tornar o uso da pele de animal obsoleto, quando mais e mais designers de moda e lojas a eliminam das suas coleções", escrevem. "A maioria dos consumidores do Reino Unido rejeita o uso de pele por motivos éticos".

À consciência ecológica dos designers de moda junta-se a crescente sensibilidade dos consumidores aos direitos dos animais, sustentabilidade e alterações climáticas.

Naomi Campbell, musa de Valentino, foi das primeiras a recusar peles nos anos 90 e lista nunca parou de crescer - Dua Lipa, Kim Kardashian, Charlize Theron, Tim Gunn, Pamela Anderson, Simon Cowell, Olivia Munn, Ellen DeGeneres, Paul McCartney, Khloe Kardashian ou Miley Cyrus disseram publicamente que eram contra o seu uso. Ainda que os defensores da pele digam que é mais sustentável do que os materiais falsos.

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