Fatos de banho biodegradáveis made in Portugal

Reciclados e biodegradáveis ou feitos de cânhamo. Fatos de banho a pensar no planeta? Sim, a portuguesa ​​​​​​​DCK quer juntar vendas com responsabilidade ambiental.

A primeira pergunta é óbvia: como pode um fato de banho ser biodegradável? À conversa com o DN na loja do Chiado, Fernando Costa, diretor de marketing da marca portuguesa DCK explica: "Através da tecnologia Ciclo que não é mais que do um aditivo, um ingrediente, adicionado durante o processo de produção dos fatos de banho feitos em poliéster reciclado". Esse tal ingrediente entra no processo de produção e dá prioridades biodegradáveis à matriz do plástico. E, continua a partilhar Fernando Costa de forma simplificada, "com esse aditivo esses componentes tornam as partículas biodegradáveis no ambiente certo, ou seja, no fim de vida do fato de banho, seja debaixo da terra ou no mar, vai atrair micróbios que decompõem o produto". Simples.

Mas como se define então o tempo de vida de um fato de banho? Moda, durabilidade do produto? A resposta também é pronta: "Um fato de banho não se usa todos os dias e pode durar uma vida inteira. Mas a verdade é que as pessoas gostam de mudar consoante a moda", ou seja, quando quiser "livrar-se" do fato de banho desta marca e para além da solução de poder doar a outros, pode ser colocado para reciclar - "no mesmo local onde se colocam os plásticos".

Lançada no ano passado, esta coleção biodegradável é já 25% da gama de fatos de banho e ao mesmo preço, 44 euros, de todos os outros (tamanho de adulto). "Como o custo de produção é maior com esta tecnologia ainda não temos capacidade financeira para abranger uma maior percentagem das coleções. Para além de que nem todos os calções são feitos em poliéster, temos também em algodão e em cânhamo".

Cânhamo? Sim. Essa coleção foi lançada já há três anos. A diferença para os "normais" calções de algodão é que usam três vezes menos água e por isso consomem menos recursos naturais. "Os calções de cânhamo são feitos com o caule da planta, que depois é processado, retirada a goma e de seguida transformado em fio que faz o tecido, e que por isso fica com um toque parecido ao algodão."

Portugueses ainda (só) pensam no preço

A procura dos fatos de banho com preocupações ambientais é, ainda, maioritariamente feita por estrangeiros. "Os portugueses ligam mais ao fator preço, e apesar de cada vez haver mais interessados, são menos de 10% os que perguntam pelas coleções sustentáveis", diz Fernando Costa. Mas do estrangeiro as perguntas são muito frequentes. Essa clientela internacional provém quer do online quer dos 90 pontos de venda onde a marca portuguesa está presente, maioritariamente em Espanha e França em lojas multimarca. Mas há planos para mais. "A ideia é expandir para outros mercados, principalmente nos Estados Unidos. Temos a ambição de querer ser a maior marca de fatos de banho do mundo", confessa.

Esta vontade de "conquista" começou com uma viagem de três amigos a Bali onde viram muitos fatos de banho de homem a preços razoáveis. Decidiram visitar as fábricas locais e investiram em 400 fatos de banho com as iniciais de cada um (DCK) e trouxeram-nos para Portugal. As vendas feitas em casa a amigos ou nas praias que frequentavam esgotaram as unidades num ápice. Isso fez pensar noutros voos. Dois dos sócios saíram dos projetos, ficou o C, de Duarte Costa, que convidou, em 2014, a família (um irmão e dois primos) a tornar a brincadeira no negócio que hoje conta, para além do online e exportação, com três lojas em Portugal: Chiado, Comporta e um quiosque temporário no Cascais Shopping este verão.

Colaborações

Para além dos vários modelos que lançam todos os anos, têm apostado em algumas novidades. Como, por exemplo, a parceria com os restaurantes Poke House. E o que tem a ver um restaurante com uma marca de fatos de banho? Mais do que se julga. A começar, e para além de algumas ligações familiares entre os gestores de ambos os negócios, o que pode interessar mais ao leitor é que esta parceria fez lançar este verão dois calções de banho, edição limitada (44 euros), com as cores (rosa e azul) e logótipo dos restaurantes de pokes. Fernando Costa diz que a edição está a ter "muito sucesso nas redes sociais". É por lá que a DCK comunica com mais frequência com os seus clientes. Que, surpresa ou não, são transversais, quer na idade quer na ocupação.

"Do jovem advogado ao surfista, do pai de família aos seus filhos, da pessoa mais magra à mais gorda", avança Costa. E é também por isso que insistem em renovar os modelos com frequência, cada um tem apenas 180 unidades e depois de esgotar... nada feito.

O negócio tem tido um crescimento sustentado nos últimos anos. No dia da conversa, um dia de semana, foi rara a vez que a loja não estava cheia - sobretudo de estrangeiros. Mas há sempre um mas... para além dos erros do início do negócio, com " algumas apostas menos acertadas, quer nas encomendas, nos estilos ou nos tamanhos, que foram as maiores dores de crescimento", há a sazonalidade. Uma vez que o negócio tem as suas vendas concentradas em poucos meses do ano, os meses quentes; a DCK lançou no ano passado uma coleção de blusões que esgotou e que vai repetir já no próximo inverno.

Mas como ainda é verão, há que saber o que dita a moda dos fatos de banho. Fernando Costa dá uma ajuda: "Sabemos pelo que se passa nos EUA - que estão um ano à frente em termos de tendências - que o tamanho da perna nos calções está a encurtar um pouco e que os desenhos são agora mais sóbrios". Fica a nota para os mais vaidosos e que também pensam no ambiente.

filipe.gil@dn.pt

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