Nasceu em 1777 e em 1805 já estava à frente da então pequena empresa familiar que tinha sido criada pelo seu sogro. Aos 27 anos, Barbe-Nicole Ponsardin Clicquot assumiu dois papéis difíceis para a sociedade da época: o de uma viúva precoce e o de empresária de sucesso.Foi sob o seu domínio que a Maison Clicquot, uma das mais conceituadas, estabeleceu o lema “Apenas uma qualidade: a melhor”. Com os quatro hectares que herdou da família do marido, começou por aprender o que era preciso para escolher as melhores uvas e fazer os melhores vinhos. Ao longo das décadas em que esteve à frente da empresa, fez a propriedade crescer dez vezes, e estendeu os 41 hectares de vinhas a três lugares: Bouzy, Verzenay e Verzy. Todas elas garantiram a AOC Grand Cru – é, no fundo, uma Denominação de Origem Controlada pertencente à mais elevada categoria em termos de qualidade.Barbe-Nicole aprendeu, tornou-se uma empresária, viticultora e comerciante experiente e surpreendeu o mercado quando, em 1816, inventou a técnica de rémuage – não há uma tradução que faça sentido em português – que consiste, basicamente, em girar gradualmente as garrafas de vinho, que estão inclinadas numa espécie de cavalete, por forma a acumular os sedimentos de levedura ou borras no gargalo da garrafa, o que permite um vinho limpo e livre de leveduras mortas. O processo demora, nos vinhos espumantes de elevada qualidade, várias semanas. .Esse gargalo cheio de borras é depois congelado e a tampa é removida, fazendo com que a pressão interna expulse esses sedimentos – é o chamado processo de dégorgement ou degola.Todo este processo faz parte do chamado método tradicional de Champagne e depois da sua invenção por Barbe-Nicole, no início do século XIX, foi imediatamente adotado por todas as grandes casas da região.Mas não foi só isso que tornou a Veuve Clicquot – ou Viúva Clicquot – na marca que conhece hoje. Foi também o espírito empreendedor e criativo de Barbe-Nicole, que garantiu, durante tempos particularmente conturbados na Europa, que a empresa se afirmava em qualidade e em sustentabilidade económica. Conhecida pela arte de bem receber, por um apurado sentido estético e por ser uma visionária, Barbe-Nicole ganhou o título de Grande Dama de Champagne pelos seus contemporâneos, que lhe reconheceram a importância e lhe admiravam a tenacidade. .O melhor champanhe do mundo?.Foi, em pleno século XIX, uma lufada de ar fresco no mundo vitivinícola francês, e Champagne pode agradecer-lhe a invenção que mudaria de forma drástica a qualidade de uns vinhos que, atualmente, são dos mais conceituados do mundo.Se há dúvidas sobre se Dom Pérignon foi mesmo quem usou pela primeira vez uma rolha de cortiça em garrafas de espumante, ainda no século XVII, não restam dúvidas algumas – graças a registos da própria empresa – de que a Viúva Clicquot foi a responsável por ter elevado os Champagne para o patamar que lhes reconhecemos hoje.Uma mulher à frente do seu tempo que inspirou tantas outras, no vinho, no empreendedorismo, na liderança e na criatividade.