7 Dias 7 Propostas por Vera Teixeira da Costa

As sugestões culturais para os próximos dias da semana por Vera Teixeira da Costa, responsável pela comunicação e desenvolvimento de negócios na Sociedade de Advogados Raposo Bernardo & Associados

1.Vinil
"Música simples para emoções complexas"
Joep Beving, Trilogy

Domingo, 27 de fevereiro

São sete vinis, todos com obras musicais impressionantes. Cheguei a Joep Beving no ano passado, em 2021, e foi tarde porque este incrível compositor holandês já se tinha dado a conhecer em 2015 com o álbum Solipsism. "Música simples para emoções complexas", é assim que Joep Beving se define enquanto compositor. Nele podemos encontrar sonoridades que lembram Bill Evans, Keith Jarrett, Philip Glass, Arvo Pärt, Chopin, Satie e Gustav Mahler, o que se traduz numa combinação de sons neoclássicos tocados de forma invulgar e profundamente sofisticada em piano. Em Joep Beving, facilmente nos apercebemos de uma certa dominância conceptual e de uma transcendência musical - difícil de não gostar.


2. Refúgio
Casa no Tempo
Turismo rural
Montemor-O-Novo
Segunda-feira, 28 de fevereiro

É um refúgio. A Casa no Tempo é sobretudo um lugar único que nos devolve a sensação de estar longe do resto do mundo. Uma casa ampla, rodeada pela natureza e pelo horizonte a 360º. Na Casa no Tempo somos envolvidos por uma imensa luz e por um design exclusivo minimalista que se compõe ainda mais com uma piscina a lembrar a mais fina representação arquitetónica de uma pequena praia, só para nós. O silêncio do Alentejo, em harmonia com as suas paisagens únicas e as vastas planícies douradas, refletem uma combinação de elementos singulares da natureza - onde só é possível encontrar sombra junto das oliveiras. Pode dizer-se que a Casa no Tempo é uma suspensão da realidade, pela paz e silêncio que nela encontramos.

3. Natureza
Shinrin-Yoku
Banho de Floresta em Sintra
Terça-feira, 1 de março

Para quem privilegia a natureza, Shinrin-Yoku (banho e terapia de floresta) pode ser uma experiência sublime. A ideia é imergir, por exemplo, na Serra de Sintra: nos sons e aromas naturais das árvores e da terra húmida. Sabemos que os passeios nas florestas têm um efeito tranquilizante e há quem lhe atribua o poder de cura espiritual. Foi no Japão que surgiu a silvoterapia, que é como se chama em português, e, nos tempos da Roma Antiga, Plínio defendia que o cheiro das árvores tinha um efeito curativo devido à presença de fitocidas (óleos essenciais) e de antimicrobianos (substâncias que minimizam a presença de bactérias). As árvores emitem ainda terpenóides, pinenos, borneol, linalol e limonenos que são princípios ativos naturais presentes nas florestas. É um programa perfeito para fugir ao frenesim do Carnaval.

4. Veneza
Livro e filme
Morte em Veneza, escrito por Thomas Mann e realizado por Luchino Visconti
Quarta-feira, 2 de março

Nem sempre o filme é tão bom como o livro. Não é o caso. Tanto o livro como o filme são duas obras de excelência, ambos pela sua profundidade e complexidade. Thomas Mann é um escritor amante do romantismo alemão e também da ironia. Luchino Visconti reveste toda a sua obra cinematográfica de sensibilidade - sobretudo no campo visual e estético. A história apresenta-nos Gustav Aschenbach, um compositor de meia idade, com uma personalidade meticulosa e perfecionista, que atravessa por uma crise de criatividade e que, por conseguinte, viaja até Veneza em busca de inspiração. A história é baseada no pensamento de Nietzsche que liga o artista ao apolíneo e ao dionisíaco. Em Morte em Veneza, Gustav Aschenbach conhece Tadzio, um jovem atraente que é o retrato da beleza perfeita. Aqui lembramos o diálogo de Sócrates com Fedro sobre a beleza no seu estado puro e como isso nos remete à elevação dos sentidos. Aschenbach confronta-se com a frustração da sua degradação física e persegue a beleza de Tadzio, numa espécie de relação platónica. Aschenbach morre, no momento da sua última contemplação do belo: Tadzio a entrar lentamente no mar com o céu e o sol no horizonte, e a música de Mahler - como se não houvesse nada mais belo e perfeito. De facto, não há.

5. Filme
Paris Blues
Realizado por Martin Ritt com Paul Newman
Cinemateca de Lisboa
Quinta-feira, 3 de março

É sempre interessante revisitar filmes dos anos 60. Paris Blues, de Martin Ritt, é um deles. Regressamos a Paul Newman e às ruas de Paris. Encontramos a maravilhosa Diahann Carroll que juntamente com Sidney Poitier lutam contra o preconceito do racismo, uma luta ainda mais difícil e exigente na década de sessenta. Louis Armstrong também marca presença com "Wild Man Moore", e a atriz Joanne Woodward confronta-nos com a complexidade da paixão romântica.

6. Exposição
Through a Different Lens - Stanley Kubrick
Centro Cultural de Cascais
Sexta-feira, 4 de março

O realizador de Eyes Wide Shut irá expor 130 retratos no Centro Cultural de Cascais. Certamente conhecemos alguns dos seus filmes e fotografias. Por exemplo, Girl With A Lipstick, 1940, ou Walking The Streets Of New York, 1946. São dois dos clássicos no mundo da fotografia e, como se diz, "classics never die". São como os lugares aos quais gostamos sempre de regressar. O ambiente de cada um destes retratos remonta ao pós-guerra e aos glamorosos anos 40 e 50, onde era possível identificar a esperança estampada nos rostos que davam vida a cada cidade. Stanley Kubrick tinha uma habilidade especial para captar imagens nas quais se destacam a iluminação e contraste perfeitos.

7. Música
Jerome Faria
Concerto
Rua das Gaivotas 6
Sábado, 5 de março

Jerome Faria é um compositor e artista Visual que nos apresenta em cada composição uma dissecação sonora que nos remete para o campo da experimentação. Há em todos os ruídos e harmonias um lado contemplativo e etéreo que configuram uma viagem para quem o ouve. Podemos também encontrar em Jerome uma sensibilidade estética acurada presente em cada projeção que, na verdade, funciona como uma cortina de fundo para a sua música. O concerto começa às 22h00 e é um daqueles que vale mesmo a pena ir.

filipe.gil@dn.pt

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