Dois terços dos idosos não se sentem saudáveis, diz estudo

Investigadores consideram que os resultados podem ajudar a detetar, prevenir e combater as principais ameaças associadas ao envelhecimento da população

Dor, solidão, perda de memória, problemas de visão e falta de ar são as principais razões pelas quais cerca de dois terços dos idosos entrevistados no âmbito de um estudo coordenado por uma investigadora da Universidade de Aveiro (UA) avaliaram o seu estado de saúde como não saudável.

O trabalho, lê-se num comunicado da UA, "analisou e comparou as perceções das ameaças à saúde e ao bem-estar entre os idosos de Portugal e da Polónia, dois países europeus que estão abaixo da média em medidas como o rendimento e a riqueza".

O estudo, feito por Maria Piedade Brandão, docente da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) e investigadora do CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e por Margarida Fonseca Cardoso, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), contou com a participação de 480 adultos acima dos 65 anos de idade (247 portugueses e 233 polacos).

Segundo as investigadoras, 69,2% dos idosos portugueses classificaram o seu estado de saúde como razoável ou mau e 66,5% dos idosos polacos disseram o mesmo. Por cá, as mulheres mostraram "mais tendência para avaliar a sua saúde como razoável ou má, enquanto as pessoas viúvas têm mais tendência para se considerarem não saudáveis".

Um quarto dos portugueses inquiridos declararam chegar ao final do mês sem dinheiro para pagar as despesas, uma percentagem superior à encontrada na Polónia (14,8%). Em ambos os países, o facto de os idosos não terem dinheiro suficiente até ao final do mês aumentou a probabilidade de percecionarem o seu estado de saúde como não saudável.

Mais de 80% dos idosos que afirmaram não se considerar saudáveis disseram sentir dor. "Feitas as contas, conclui-se que os idosos portugueses com dor têm um risco nove vezes maior de reportar um estado de saúde razoável ou insatisfatório", diz o comunicado.

Variáveis como a falta de ar durante atividades do dia a dia, problemas de visão e mentais, como a solidão e a perda de memória, também estão "claramente associadas a perceções mais negativas sobre o estado de saúde e bem-estar".

A solidão é, segundo as autoras, um dos fatores mais importantes a ter em conta, já que "71,9% dos idosos avaliados que não se consideram saudáveis, dizem que se sentem sós e mais de metade dos que se consideram saudáveis referem este sentimento".

Maria Piedade Brandão considera que os resultados podem ajudar a detetar, prevenir e combater as principais ameaças associadas ao envelhecimento, assim como poderão contribuir para o desenvolvimento de estratégias de saúde a nível nacional e europeu.

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