Sonda chinesa prepara-se para aterrar no lado oculto da Lua

A Chang-4 estará a horas de pousar na Lua. Se tudo correr como previsto, será o primeiro engenho terrestre a deixar a sua pegada naquela geografia do satélite natural da Terra. A manobra é arriscada, mas a expectativa é alta

A nave chinesa Chang-4 prepara-se para ser o primeiro engenho terrestre a pousar na face oculta de Lua. Se tudo correr como previsto, a histórica aterragem deverá ocorrer entre esta quarta-feira e amanhã, quinta, depois de quase um mês de viagem - a Chang 4 foi lançada a 8 de dezembro, a bordo de um foguetão Longa Marcha, a partir do centro de lançamento de Xichang, no sudoeste da China.

Os responsáveis da missão indicaram que a viagem duraria cerca de 26 dias, mas não adiantaram o dia preciso da aterragem. Por isso, a expectativa cresce. A ser bem-sucedido, este será um novo passo nas viagens espaciais lunares.

Apesar de a face oculta da Lua já não ser uma desconhecida - sondas russas e as missões Apolo dos Estados Unidos revelaram as primeiras imagens do face lunar permanente oculta aos olhos humanos há mais de meio século -, pousar um robô carregado de instrumentação científica naquela geografia da Lua nunca foi feito antes. Daí, o enorme potencial científico desta missão.

O local de aterragem, a cratera Von Karmán, com 186 quilómetros de diâmetro, que, por sua vez, está localizada no interior de uma bacia maior, designada Aitkin, na região do polo Sul, foi escolhida precisamente porque se trata de uma planície - é a paisagem que oferece menos riscos a uma manobra arriscada como esta.

Um dos principais problemas de pousar no outro lado da Lua tem a ver com o maior risco que a manobra implica, em relação à aterragem no lado virado para a Terra, uma vez que, do outro lado, as comunicações com a Terra se perdem.

Para resolver o problema a China colocou em maio, na órbita lunar, um satélite de telecomunicações, o Queqiao, que será vital nas comunicações entre a Chang-4 e o centro de controlo em Terra.

Sendo uma nova fronteira e um território ainda sem pegadas humanas, o lado oculto da Lua também já não é uma geografia completamente desconhecida. As observações feitas por sondas terrestres nas últimas décadas mostram que ali a crosta é mais antiga e marcada por maior número de crateras, em relação à face nossa velha conhecida.

A par disso, as extensões de rocha basáltica, que ganharam o nome de mares, como o Mar da Tranquilidade, onde os primeiros astronautas desceram há meio século - cumpre-se este ano - são também em menor número. Ao aterrar ali, bem no meio da bacia de Aitkin, os responsáveis da missão esperam colher dados que permitam conhecer melhor a natureza dessa imensa cratera e do fenómeno que a produziu, bem como sobre a natureza do solo naquele local.

Outra das potencialidades desta missão é a de abrir caminho a novos estudos de radioastronomia. O mesmo bloqueio que impede as comunicações diretas entre a Terra aquele lado da Lua é precisamente o que faz daquele local um observatório privilegiado para a radioastronomia, por não haver interferências das telecomunicações terrestres. Antes de tudo o mais, no entanto, a Chang-4 terá primeiro de aterrar em segurança.

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