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Somos menos e estamos mais velhos, casamos pouco e continuamos pobres

A população portuguesa diminuiu em dez anos, ficou muito mais velha, casa menos, tem menos filhos, e os que nascem são mais de pais não casados. Este é o retrato traçado pela Pordata e divulgado hoje. Os dados vão desde 2007 a 2018.

O retrato traça-se de forma breve, mas dá que pensar. Não é novidade que há cada vez menos portugueses, não é também novidade que estamos cada vez mais envelhecidos, que casamos menos, tanto de forma religiosa como civil, que temos menos filhos e que a taxa de pobreza diminuiu um pouco, mas, mesmo assim, continua elevada, afetando mais jovens até aos 18 anos e adultos com mais de 65 anos.

No Dia Mundial da População, a Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulga um "Retrato de Portugal", depois de analisar dados de 2007 a 2018, em 16itens; da população geral à população emigrada e empregada, da escolaridade ao número de pensões.

1 - População residente

Em dez anos, de 2008 a 2018, a população portuguesa diminuiu em 274 mil pessoas. No ano passado, éramos 10,3 milhões. Uma redução que se verificou sobretudo entre os mais jovens, mas também entre a população em idade ativa. Em 2008, tínhamos 1 637 410 crianças dos zero aos 14 anos, em 2018 são 1 415 731. No grupo etário dos 16 aos 64 anos, éramos 7 036 435 e agora somos 6 639 342. Quanto à população com mais de 65 anos, somos mais 18% do que em 2008. Éramos 1 884 332 e agora somos 2 228 750.

2 - Envelhecimento

Em 2008, havia 115 idosos por cada cem jovens até aos 15 anos. Em 2018, este rácio subiu para 157 idosos por cada cem jovens. Ou seja, há dez anos o índice de envelhecimento era de 115,1%, atualmente é de 157,4%. Ao mesmo tempo aumentou também o índice de dependência de idosos. Em 2008, havia 27 idosos dependentes por cada cem pessoas em idade ativa. Este número passou para 34.

3 - Esperança Média de Vida

Nem tudo é mau. Em dez anos a Pordata identificou que a esperança média de vida aumentou em dois anos logo à nascença. Para os homens, este aumento é de 2,3 anos e para as mulheres de 1,6 anos. Mesmo assim, elas continuam a viver mais anos do que eles. Em 2007, a esperança média de vida era de 78,7 anos e, em 2017, é de 80,8 anos.

4 - Saldos Populacionais

Também neste item, Portugal sai a perder, já que, em 2018, perdeu 14,4 mil pessoas. A Pordata refere mesmo que o saldo natural foi o mais baixo desde 2008. Ou seja, comparativamente a 2008, nasceram menos 17,6 mil crianças, em 2018.

5 - Emigração e Imigração

A fuga para o estrangeiro continua, mesmo depois dos anos fortemente marcados pela crise económica. Basta referir que o número de pessoas fora do país mais de um ano aumentou em mais de 11,2 mil pessoas em dez anos.

Em 2008, foram 20 357 os que saíram permanentemente do país, 16 286 homens e 4071 mulheres. No ano passado, foram 31 600 os que saíram, 23 181 homens e 8419 mulheres.

Quanto aos que entram no país, também houve um aumento. Em 2018, este número foi de 43,2 mil pessoas, mais 13,5 mil do que em 2008. Neste ano, a população imigrante permanente era de 29 718 e agora é de 43 170.

Há ainda a registar que, dos que saem, só um quarto são mulheres, enquanto relativamente aos que chegam ao país mais de metade das pessoas são do sexo feminino.

6 - Nascimentos

No ano passado, mais de metade dos nascimentos (56%) ocorreram entre pais não casados, o que representou uma subida de 20 pontos percentuais face a 2008. Deste grupo de pais não casados, 19% não viviam juntos, o que também reflete uma subida de cerca de 12 pontos percentuais relativamente ao que sucedia há dez anos. Enquanto em 2008 nasceram 37 854 bebés fora do casamento, em 2018 nasceram 48 625.

Por outro lado, dos bebés que nasceram em 2018, 17% são de pais que já tinham filhos de relacionamentos anteriores. Em 2008, os meios-irmãos representavam 12% dos bebés nascidos.

7 - Casamentos

É um facto: os portugueses casam cada vez menos, tanto por cerimónia religiosa como civil. Em dez anos, realizaram-se menos nove mil casamentos. Do total de 2018, 34 637, uma percentagem de 2% foi de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Dos casamentos realizados no ano passado, um em cada três foi pela religião católica, mesmo assim as cerimónias pelo catolicismo registaram uma redução de 12 pontos percentuais. Em 2008, realizaram-se 9238 casamentos, e, em 2018, 11 043.

Quanto aos casamentos civis, há dez anos realizaram-se 23 923, em 2018 foram 22 826.

8 - Divórcios

Casamos menos, mas também nos divorciamos menos. É de referir que entre 2007 e 2017 foi registado o número mais baixo de divórcios: 21 577, enquanto em 2007 ocorreram 25 120, uma descida de cerca de 14%.

9 - Agregados domésticos

É um facto também que as famílias monoparentais continuam a aumentar. Nos dez anos contabilizados pela Pordata, há registo de um aumento de 47% de 2008 para 2018, o número de famílias de uma só pessoa também subiu 37%. Por outro lado, desceram em 9% os casais com filhos.

10 - Risco de pobreza

A taxa de risco de pobreza diminui ligeiramente de 2007 para 2017, de 19% passou para 17%. No entanto, continua a afetar mais os jovens e as pessoas com mais de 65 anos.

11 - Escolaridade

O nível de escolaridade está a diminuir também em Portugal. Em 2018, mais de metade (53%) da população com mais de 15 anos tinha apenas o ensino básico como nível de escolaridade mais elevado, 22% o ensino secundário, 19% o ensino superior e 7% não tinham qualquer nível de instrução. Segundo a Pordata, esta redução é da ordem dos 11 pontos percentuais.

Quanto ao abandono escolar, observou-se que em dez anos houve uma descida de 23 pontos percentuais, de 20 pontos percentuais em relação às mulheres e de 27 pontos para os homens.

12 - Número de pensões

Entre 2008 e 2018, registou-se um aumento de 4% no número de pensões pagas pela Segurança Social, sendo atribuídas mais cerca de 109,5 mil pensões. Contudo, registou-se uma descida nas pensões por invalidez, uma diminuição de 127 mil. Em 2008, havia 1 817 052 pessoas a receber pensão, em 2018 eram 2 927 393 pessoas.

13 - Número de médicos e de enfermeiros

O ano de 2017 foi o que registou maior número de profissionais da saúde inscritos nas ordens dos médicos e dos enfermeiros. Nos médicos, havia quase 52 mil inscritos, enquanto em 2007 eram 37 904. Quanto à classe de enfermeiros, em 2007 eram 54 079 e em 2017 eram 71 578. O que, relativamente a 2008, representa um aumento de 14 mil médicos e de 17,5 mil enfermeiros.

14 - População empregada por setores

A grande maioria da população empregada encontra-se no setor terciário, quase 70%, registando uma subida de dez pontos percentuais. Em 2008, esta população representava 59,6%, dez anos depois representa 69,1%. O setor primário foi o que registou a maior descida. De uma população que equivalia a 11,4% da população total empregada passou para apenas 6%. O setor secundário também diminuiu de 29% para 24,8%.

15 - População empregada por profissões

O número de especialistas em atividades intelectuais e científicas duplicou em dez anos, passando a representar quase 19% do total da população empregada. Os agricultores e trabalhadores qualificados na agricultura, pescas e florestas foram os que perderam mais efetivos.

16 - Viagens em Turismo

Em dez anos, a Pordata registou que menos de metade da população é que conseguiu viajar em turismo (45%), mas só 27% viajou para o estrangeiro.

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