Reino Unido. Voluntários vão ser infetados com o vírus para testar vacinas da covid-19

O estudo britânico, liderado pelo Imperial College, deve arrancar no início do próximo ano com um grupo de pessoas a ser deliberadamente infetado. Não é uma técnica nova e o objetivo é descobrir quais as vacinas que funcionam com sucesso.

Um grupo de voluntários saudáveis ​​do Reino Unido será cobaia nos testes a vacinas da covid-19, sendo deliberadamente infectados com o novo coronavírus com o objetivo de descobrir quais as vacinas que funcionam com sucesso.

Estes testes devem começar em janeiro, em Londres, segundo noticiou o jornal Financial Times, publicação que adianta que este estudo é financiado pelo estado britânico e será anunciado publicamente nos próximos dias.

Os estudos de desafio humano (human challenge trials) não são uma novidade. Têm uma longa e bem sucedida história, que remonta ao final do século XVIII, quando Edward Jenner inoculou um menino de oito anos com o vírus da varíola. Também têm sido usados ​​na busca de vacinas contra a febre tifóide, cólera e malária. Mas não são sempre consensuais e há especialistas que hesitam em expor voluntários a um vírus para o qual não há cura.

Contudo, os riscos para pessoas jovens e saudáveis são reduzidos e cerca de 2.000 voluntários do Reino Unido já se inscreveram no movimento 1Day Sooner, que tem feito campanha e petições ao parlamento para permitir o início de testes com humanos. O movimento tem 37.000 voluntários em todo o mundo.

Estes testes podem produzir respostas rápidas e robustas sobre a eficácia de algumas das vacinas em desenvolvimento. Existem mais de 300 vacinas em curso, a maioria ainda em laboratório, e nove agora em testes finais da fase 3 em grande escala. Descobrir quais podem proteger melhor da infeção ajudaria a decidir onde investir.

Durante o ensaio, os voluntários serão injetados com uma vacina experimental, antes de receberem uma dose de "desafio" do vírus Sars-Cov-2, sob condições controladas cerca de um mês depois.

O Finacial TImes diz que o 1Day Sooner lançará uma campanha esta semana com uma petição ao parlamento em que se pede financiamento público para uma instalação de biocontenção com capacidade para colocar em quarentena 100 a 200 participantes.

O estudo terá de ser aprovado pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido, bem como por um comité de ética independente.

"Há muitos benefícios"

Para injetar nos voluntários, os cientistas vão selecionar e purificar uma cepa do vírus geneticamente representativa daquela que circula atualmente na população e escolher doses que não sobrecarreguem o sistema imunitário, de acordo com o jornal britânico.

O Imperial College London é o líder académico do projeto, enquanto a hVivo da Queen Mary University of London, que foi comprada, no início do ano, pela organização farmacêutica Open Orphan, com sede em Dublin, irá administrar.

O professor Peter Horby, que preside o Grupo de Aconselhamento sobre Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes (Nervtag) e lidera o ensaio de recuperação de tratamentos covid na Universidade de Oxford, disse que o ensaio tem o potencial de fazer "avançar a ciência e levar a uma melhor compreensão do doença".

"Há uma série de benefícios, não apenas a vacina, mas também uma melhor compreensão das respostas imunológicas ao vírus", disse à BBC Radio 4.

Os Estados Unidos também estão a preparar-se para possíveis testes com humanos, mas estão menos avançados que o Reino Unido.

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