Pode haver vida em Marte? A NASA diz que sim, mas não para humanos

Investigadores concluíram que há oxigénio em 6,5% do território do planeta vizinho.

É a pergunta de um milhão: afinal, pode ou não haver vida em Marte? Um novo estudo da NASA, publicado esta segunda-feira na Nature Geoscience, afirma que sim. Mas apenas vida microbiana. Sim, para já os humanos continuam fora da equação, mas as novas descobertas vêm aumentar as esperanças de habitabilidade do planeta.

A resposta está, obviamente, no oxigénio, o metabolismo da vida no planeta Terra e, até hoje, conhecido como insuficiente em Marte para suportar vida humana. De acordo com o El País, Vlada Stamenkovic, investigador da NASA, e a sua equipa do Instituto de Tecnologia da Califórnia vêm contudo desafiar o que se sabia até agora, com a criação de um modelo capaz de calcular a quantidade de oxigénio encontrado nas águas salgadas que possam existir no planeta vizinho.

Utilizando este modelo como base, concluíram que há oxigénio em 6,5% do território de Marte, na superfície ou alguns centímetros abaixo dela. Valores semelhantes aos da Terra e que se vêm revelar suficientes para sustentar vida a alguns micróbios.

Estas últimas foram recentemente sugeridas como os primeiros ancestrais dos animais, em estudos que diziam ainda que as esponjas se podem proliferar em concentrações muito baixas de oxigénio.

Grande lago de água salgada

Em 2008, a missão Phoenix da NASA possibilitou a descoberta de um grande lago de água salgada no planeta vermelho. Os investigadores calculam que a concentração de oxigénio possa ser elevada se a água, escondida sob o gelo do polo sul, tiver temporariamente contacto com a superfície. Ou até mesmo se for registada radiação suficiente para dividir o oxigénio e o hidrogénio. Stamenkovic adianta-se: "há oportunidades para a vida com base em oxigénio na corrente Marte ou outros corpos planetários através de fontes alternativas de oxigénio para a fotossíntese".

De acordo com um outro especialista, Víctor Parro, do Centro de Astrobiologia CAB-CSIC, esta oportunidade foi até hoje "negligenciada" pelo registo de baixas concentrações de oxigénio em Marte.

O investigador explica que "os micro-organismos não precisam de O2 para respirar, mas o oxigénio molecular possibilita a obtenção de maior energia nos processos de respiração e a sua presença em Marte em concentrações adequadas aumenta as possibilidades de novos metabolismos e é mais eficiente". Avança até que "permitiria a existência de bactérias como as encontradas em Huelva, que oxidam ferro para energia. E algo que abunda em Marte é ferro".

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