Onde descubro toda a música do mundo

Há um local que convida a ouvir mais e mais música, descobrir pérolas ou saber mais sobre quem faz aquelas melodias preferidas. Um incrível recanto que apela aos outros sentidos e que complementa a audição

Todos os dias, ao chegar a casa, exploro o mundo da música digital através daquele que é, não tenho dúvidas, o melhor programa de computador alguma vez criado para o efeito. O Roon é um maravilhoso recanto (virtual) que merece pelo menos uma visita por quem gosta (mesmo) de música.

Apresentando-se como "o leitor de música para os amantes de música", o Roon parece, à primeira vista, ser pouco mais do que um belo interface gráfico para a coleção de música digital de cada um. Aliás, essa é a vertente mais sublinhada pelo serviço na sua página de apresentação.

E têm boas razões para o fazer. A digitalização da música teve o efeito colateral de deixar para segundo plano a "experiência total" que pode ser ouvir música. O pequeno CD, com os livrinhos encaixados na caixa de plástico, já eram bem menos satisfatórios do que as grandes capas - algumas míticas - e 'booklets' dos discos de vinil. Com a progressão para os ficheiros guardados no computador e para o streaming, o problema agravou-se, passando a música a ser pouco mais do que uma lista de títulos numa playlist.

Este é o primeiro problema que o Roon resolve. No computador, no tablet ou no telemóvel, as capas dos discos, a informação relativa aos artistas, os dados sobre as gravações ganham todo o destaque que merecem.

Apesar de ser esta a vertente mais imediata do Roon, não é (de longe) a mais importante. O que distingue este programa de todos os outros é a sua imensa base de dados, capaz de reconhecer milhares e milhares de discos. Na grande maioria, inclui fichas técnicas pormenorizadas com os músicos que participam no álbum, a equipa técnica que o gravou e produziu, etc.

Informação que é aplicada (e cruzada) em todos os álbuns do utilizador, bem como nos milhões de álbuns disponíveis no serviço de streaming Tidal (que tem uma biblioteca praticamente do tamanho do Spotify, só que com áudio em qualidade CD ou superior). Este integra-se totalmente com o Roon, que "trata" os álbuns favoritos como fazendo parte da coleção.

Por exemplo: ainda esta sexta-feira, em apenas dois ou três cliques, descobri que o homem responsável pelos arranjos de metais do álbum Us, de Peter Gabriel, foi o produtor dos U2 em The Unforgettable Fire e Achtung Baby.

A referida integração com o Tidal permite ainda ver, por exemplo, que outras versões de uma mesma canção existem. Ou simplesmente descobrir álbuns até agora desconhecidos (por mim, pelo menos). Uma sessão de audição pode assim facilmente tornar-se numa aventura onde nos perdemos voluntariamente durante longas horas.

Junta-se a isto características mais técnicas, como suporte para multiroom, identificação automática do valor de amostragem do ficheiro, capacidade de upscaling, correção digital de frequências (room correction), compatibilidade com praticamente todos os formatos de ficheiros de áudio (do mp3 ao DSD, do FLAC ao MQA) e muito, muito mais.

Problema, tanto quanto consigo apontar, só mesmo o preço: 119 dólares (104 euros) por ano ou 499 (437 euros) uma única vez na vida. Mas é dinheiro muito bem gasto. Se não acredita, desafio-o a experimentar os 14 dias de teste gratuito. E seja bem vindo a este pequeno paraíso musical.

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