Odisseia da Apollo 13 foi há meio século

Deveria ter sido um voo à Lua quase de rotina, mas um acidente mudou tudo. O resgate da tripulação, numa corrida contra o tempo, deu um filme

Ficou conhecida como "um falhanço bem-sucedido" (a successful failure), pôs um país inteiro - e muitos outros no mundo - a rezar, preso aos televisores, e deu um filme de suspense realizado por Ron Howard, com Tom Hanks num dos seus papéis marcantes. A missão Apollo 13, que quase terminou em tragédia e nunca chegou a pousar na Lua, foi lançada de Cabo Canaveral, na Florida, há meio século. A data cumpre-se este sábado.

Jim Lovell, o comandante da missão, John Swigert e Fred Haise partiram da mítica plataforma 39A do centro de lançamentos espaciais da NASA, em Cabo Canaverall, às 14.13 daquele dia 11 de abril de há 50 anos, sem grandes fanfarras.

Depois da pioneira aventura da Apollo 11, em junho do ano anterior, levando os primeiros seres humanos a pisar solo lunar, e após a repetição da façanha escassos meses depois, em novembro desse mesmo ano de 1969, a partida da Apolo 13 era quase rotina, e apenas despertou um interesse residual por parte dos media e do público.

Bastaram, no entanto, 56 horas de voo para que isso mudasse. E nos dois dias que se seguiram, na iminência de uma tragédia, a América e o mundo voltaram a ficar colados aos écrans de televisão.

Tudo aconteceu a 13 de abril, sem que ninguém o esperasse - nem os técnicos em terra, nem a tripulação, já a caminho da sua grande aventura, a mais de 330 mil quilómetros da Terra.

Notando uma pequena diminuição na pressão no interior do módulo de serviço, o centro de controlo pediu ao piloto John Swigert, que cumpria a sua primeira missão no espaço, que fizesse uma operação de verificação de rotina dos tanques de oxigénio.

"Houston, we have a problem"

Foi então, sem aviso, que se deu a súbita explosão de um dos tanques de oxigénio, que destruiu um painel externo do módulo que servia de casa à tripulação.

"Houston, temos um problema", ouviu-se logo em seguida no centro de controlo.

A situação, como rapidamente se percebeu, era crítica, com os níveis de oxigénio a descerem rapidamente. Naquele exato momento o objetivo da missão deixou de ser a descida no planalto lunar de Fra Mauro, como estava previsto, para se tornar o resgate da tripulação, que teve de se refugiar no módulo lunar.

Tudo se concentrou a partir daí no regresso dos três astronautas à Terra em segurança, algo que não estava garantido.

Seguiram-se dois dias de grande incerteza com o centro de controlo e os técnicos em terra numa corrida contra o tempo a terem de encontrar soluções para os problemas da tripulação e da viagem durante esse atribulado regresso.

O pouco oxigénio que tinha sobrado era o maior dos problemas e foi preciso recorrer a um expediente técnico para conseguir produzir a bordo o oxigénio que estava em falta para toda a duração da viagem.

Contra todas as probabilidades, a missão acabou por ser um êxito - o tal falhanço bem-sucedido - que permitiu trazer de volta, sã e salva, a tripulação.

Cinco dias e 22 horas depois do lançamento, a pequena cápsula com os três astronautas amarou no Pacífico, às 13.07, hora local.

"O nosso objetivo há 50 anos foi salvar os nossos astronautas, levando-os ao outro lado da Lua e trazendo-os em segurança de volta a para a Terra", disse o administrador da NASA Jim Bridenstine, citado num comunicado da NASA, sobre a celebração da efeméride. "Agora, o nosso objetivo é voltar à Lua e ficar lá, de forma sustentável. Estamos a trabalhar arduamente para assegurar que não precisaremos de responder a uma emergência deste tipo durante a missão, mas estaremos prontos para a responder a quaisquer problemas que venham a surgir", garantiu Bridenstine.

Nascido em 25 de março de 1928, James Lovell, era já um veterano do espaço quando comandou a Apollo 13. Antes tinha participado nas missões Gemini e fez parte da tripulação da Apollo 8 que fez o primeiro voo em torno da Lua. Aos 92 anos continua a participar em programas de divulgação espacial.

Fred Haise, hoje com 86 anos, cumpria na Apollo 13 a sua primeira missão no espaço, como piloto do módulo lunar. Foi designado para a tripulação da Apollo 19, que foi cancelada por falta de fundos. Acabou por nunca ir à Lua.

John Swigert nunca mais voltou ao espaço. Deixou a NASA e em 1982 concorreu à Câmara dos Representantes e ganhou a eleição. Não chegou, no entanto, a a tomar posse porque morreu de cancro nesse ano.

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