"O preconceito contra o ensino profissional não tem explicação"

O relatório PISA, divulgado esta terça-feira, vem confirmar as estatísticas nacionais, mostrando que o número de alunos no ensino profissional tem aumentado. O secretário de Estado da Educação, João Costa, lembra que não há razões que, atualmente, justifiquem que continue a existir preconceito em torno desta via de ensino.

Desde que o ensino profissional nasceu, tal como é, nos anos de 1980, que tem estado envolto em preconceitos. Foi criado para alunos que queriam ingressar no mercado de trabalho após o ensino secundário, trabalhando especificamente numa vocação. Mas rapidamente se tornou uma resposta para aqueles com piores resultados, depois de estes cursos terem sido introduzidos nas escolas secundárias, deixando de funcionar exclusivamente nas escolas profissionais. Nos últimos anos, a proporção de alunos a frequentar esta via tem vindo a aumentar em Portugal. E o PISA - Program in International Student Assessment (em tradução livre, Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado esta terça-feira, não ficou indiferente a esta tendência. Por isso, "o preconceito" como o conhecíamos "não tem explicação", disse o secretário de Estado da Educação.

Relativamente à edição de 2006 do PISA, a proporção de alunos na via profissional aumentou quase 14 pontos percentuais em 2018. Entre todos os estudantes de 15 anos analisados, 1,9% destes estavam em cursos profissionais ou vocacionais, seguindo uma linha crescente até 2018, em que atingiu os 15,7%. Ao todo, em Portugal, são cerca de 70 mil e o número tende a crescer.

Neste momento, "face às estatísticas e ao bom desempenho destes estudantes, não há razão para desconfiar do ensino profissional", reforça o secretário João Costa, em declarações aos jornalistas. Falava à margem da cerimónia de apresentação das conclusões do PISA, que decorreu esta terça-feira em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau.

À saída da mesma conferência, também o ministro da Educação assinalava o ensino profissional como um caso de sucesso em Portugal. "Temos feito uma aposta muito forte no ensino profissional. Vemos que sai bem na fotografia e vemos que estes alunos têm melhorado a sua performance", disse Tiago Brandão Rodrigues.

Por isso, o governo quer alargar também a estes estudantes a possibilidade de ingressar no superior. Até agora, os estudantes vindos de vias profissionalizantes só poderiam entrar nas universidades e politécnicos por duas vias: estudando autonomamente matérias e disciplinas de exame que não lhes foram lecionadas durante o secundário; ou ingressando em formações curtas nas universidades e politécnicos, os Tesp, cursos técnicos superiores profissionais. Mas, a partir do próximo ano, o governo abrirá oficialmente uma terceira via de acesso ao superior, especificamente para alunos do profissional, através de concurso locais.

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