Novo reitor de Coimbra: "Orgulhamo-nos do peso histórico mas para o presente e futuro já não conta"

Amílcar Falcão, que toma posse nesta sexta-feira como reitor da Universidade de Coimbra, quer "alterar as mentalidades, quer de quem cá está, quer de quem nos vê". Aposta na investigação e na abertura às empresas. Ao contrário do antecessor, defende que os casos de fraude académica não cheguem à comunicação social.

O novo reitor da Universidade de Coimbra vai promover reformas "profundas" em alguns setores da instituição, que pretende tornar num "motor e numa referência regional de desenvolvimento". A aposta na investigação e numa nova estratégia de comunicação, destinada a aproximar a instituição do tecido económico e social da região Centro, são as duas prioridades de Amílcar Falcão, que toma posse nesta sexta-feira.

"No curto e médio prazo temos um interesse muito grande em tornar mais ágeis todos os procedimentos da Universidade de Coimbra para que os nossos investigadores possam ter melhores condições de trabalho", diz ao DN Falcão, formado em Ciências Farmacêuticas e ele próprio investigador no Centro de Neurociências e Biologia Celular da universidade, apontando para o aproveitamento ao máximo dos quadros comunitários em curso, nomeadamente o Horizonte 2020 - orientado para a investigação - e para os próximos.

"Queremos ser um motor e uma referência regional de desenvolvimento", diz, considerando que a investigação a desenvolver pela universidade "tem de ter várias vertentes mas seguramente uma capacidade de partilhar o nosso conhecimento com o meio envolvente".

No que respeita à estratégia de comunicação, o futuro reitor explicou que as alterações a introduzir têm que ver "com a nossa relação com o mundo empresarial" e a procura de estratégias que permita tornar as instituição mais "amigável" na relação com a sua região. "Queremos unir a cidade de Coimbra em torno de um projeto comum, o que tem que ver com a autarquia, os hospitais, para darmos importância à nossa região Centro".

Informação de plágios deve servir para reflexão interna

Em declarações ao DN antes da eleição, Amílcar Falcão admitiu que não teria tomado a decisão - assumida pelo atual reitor - de tornar públicos os números relativos aos acasos de fraude académica na Universidade. E mantém a convicção de que essa é informação que deve servir sobretudo para reflexão interna.

"Creio que temos de ser positivos na forma como comunicamos aquilo que fazemos", defende. Esse tipo de informação deve ter alguma reserva porque é sensível. Faz parte das boas práticas [recolher essa informação] - e não discordo de que a universidade tenha boas práticas e aplique sanções - não creio é que isso seja uma prioridade para a nossa comunicação".

Mudar a forma como a universidade é vista

Com mais de 718 anos - que fazem dela uma das mais antigas universidades do mundo ainda no ativo, Coimbra tem uma história particularmente rica mas também é por vezes vítima, admite o novo reitor, dessa imagem de instituição tradicional e tradicionalista: "Creio que o grande desafio para o mandato é perceber como podemos alterar as mentalidades, quer de quem cá está quer de quem nos vê""; diz. "Somos uma universidade que carrega um peso histórico notável, de que nos orgulhamos. Mas para o nosso presente e futuro já não conta. Temos de demonstrar que temos inovação, boa investigação e capacidade de transferir esse conhecimento para a sociedade".

Amílcar Falcão - que desempenhou as funções de vice-reitor no mandato de João Gabriel Silva - foi eleito pelo conselho geral da universidade numa votação em que também participaram os professores da universidade Ernesto Costa e José Matos Paiva e a brasileira Duília de Mello.

Fora da corrida à liderança ficou Yang Chen, físico natural de Singapura e professor de Matemática na Universidade de Macau. Apesar de ter sido um dos cinco nomes aprovados pelo conselho geral, no dia 14 de janeiro decidiu retirar a sua candidatura, por não dominar a língua de Camões.

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