O que precisa de saber sobre a mudança da hora

Na madrugada de domingo, a hora legal passou do regime de verão para o de inverno com os ponteiros do relógio a atrasar uma hora. Mas no próximo ano tudo pode ser diferente.

Este fim de semana vamos deixar de estar regulados pela hora de verão e entramos no horário de inverno. A mudança acontece na madrugada de domingo, 28 de outubro, e poderá ser a última vez que os portugueses vão atrasar os relógios em 60 minutos, um ritual que começou no princípio do século passado com a I Guerra Mundial - Portugal começou em 1916. Isto porque a Comissão Europeia propôs acabar com as mudanças da hora sazonais em toda a União Europeia em 2019. A medida terá ainda de ser aprovada pelo Parlamento Europeu e Conselho Europeu.

No domingo, 28 de outubro, vamos entrar na hora de inverno. O que tem de fazer?

Quando forem 02:00 em Portugal Continental e na Madeira deve atrasar os relógios uma hora. Nos Açores, a mudança será feita à 01.00. Nessa altura, os ponteiros do relógio recuam para a meia-noite.

"Temos de atrasar 60 minutos porque vamos sair do que se chama regime da hora de verão, que é controlada pela União Europeia", explica ao DN Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). "Este regime da hora, a sincronização das várias instituições, começa em 1981, quando surge a primeira diretiva da Comunidade Económica Europeia (CEE), na altura ainda não era União Europeia, que estabelece que todos os países vão mudar a hora na mesma altura"

A mudança de hora para o regime de inverno acontece sempre no último domingo de outubro. Porquê?

"Foi também por acordo entre os vários países em 1995. Em 1996 é a primeira vez que isso acontece", conta o diretor do OAL. "A diretiva de 1981 tinha duas datas de saída. Todos os países do continente europeu saíam da hora de verão no final de setembro e as ilhas britânicas que tinham a tradição de ser no final de outubro", explica. Manteve-se essas datas até 1996, ano em que se chegou a acordo. "Curiosamente, a Europa vai atrás da Inglaterra. E manteve-se".

Já a saída da hora de inverno para a hora de verão ficou logo definida na diretiva de 1981, da CEE, ou seja, o último domingo de março.

E qual é a razão pela qual a mudança faz-se durante a madrugada de domingo? "É um dia em que a maior parte da população não trabalha. Claro que há pessoas que trabalham, há turnos, há uma série de negócios que foram aparecendo, mas mesmo assim é quando a maioria da população está no seu repouso semanal, de modo que o impacto é menor na vida das pessoas", esclarece Rui Agostinho.

Será a última vez que vamos mudar para a hora de inverno?

O diretor do Observatório Astronómico de Lisboa não tem uma resposta. "Porque é uma questão política", justifica.

A realidade pode ser diferente no próximo ano, uma vez que a Comissão Europeia propôs acabar com as mudanças de hora sazonais em toda a União Europeia, já em 2019.

Caso a proposta de Bruxelas seja aceite - a medida tem de ter a aprovação do Parlamento Europeu e do Conselho até março de 2019 -, os Estados-Membros têm até abril para notificar a Comissão Europeia sobre a intenção de aplicar permanentemente a hora de verão ou a hora de inverno. Ou seja, não será possível mudar a hora de acordo com sazonalidade.

De acordo com o comunicado da Comissão Europeia, de 12 de setembro, "a última mudança obrigatória para a hora de verão ocorrerá no domingo, 31 de março de 2019, após o que os Estados-Membros que pretendam passar de forma permanente para a hora de inverno podem fazer uma última alteração sazonal no domingo, 27 de outubro de 2019". "Após essa data, as mudanças sazonais deixam de ser possíveis", lê-se no documento.

Resta saber se a medida passa no Parlamento e no Conselho Europeu e se vai haver mudanças na legislação que irá entrar em vigor.

Qual a posição de Portugal sobre o fim das mudanças de hora sazonais, proposto pela Comissão Europeia?

O Governo português já informou a União Europeia que pretende manter a mudança de hora. O executivo de António Costa "manifestou discordância" com a proposta da Comissão Europeia, confirmou o Ministério do Planeamento ao jornal Público, esta quinta-feira.

No início de outubro, o primeiro-ministro António Costa defendeu que Portugal deve manter o atual regime bi-horário. A tomada de posição do Governo surge com base num estudo elaborado pelo pelo diretor do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), Rui Agostinho. "O que foi expresso até ao momento é o entendimento de que em Portugal devemos manter este regime bi-horário, com hora de verão e hora de inverno. Não vejo razão para que se contrarie a ciência e se faça algo de forma discricionária", afirmou o chefe do Governo em entrevista à TVI a 1 de outubro.

O primeiro-ministro salientou não ser "nem contra, nem a favor" do fim da mudança da hora, mas considerou que "há matérias sobre as quais não vale a pena ter doutrinas políticas". "Vale a pena seguir o que é a informação da ciência. Se a ciência entende que o regime horário mais adequado é este, quem sou eu para dizer o contrário?", questionou Costa.

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