Não sabiam onde guardar a máscara, agora têm uma empresa de bolsas de papel

Sempre que tiravam a proteção da cara ficavam às aranhas sem saber onde guardá-la. Até que uns serões passados a fazer moldes acabaram nos porta-máscaras Masklean.

Quando o confinamento chegou ao fim e começaram a sair e a ir aos restaurantes, Elsa e Gonçalo, ambos de 26 anos, deparavam-se com um dilema comum à maioria dos mortais: onde guardo a máscara? Mas mais do que "onde" colocar a máscara, o casal de Guimarães estava preocupado com o "como" - ou seja, como mantê-la limpa e higienizada, sem tocar em superfícies, sem ser atirada para cima de uma mesa ou dentro da mala.

A máscara tornou-se um acessório fundamental de proteção contra a covid-19, mas não basta usá-la, é preciso mantê-la higienizada para que cumpra o seu fim.

O que era uma necessidade pessoal falou tão alto que um mês e pouco depois, a 3 de julho, o casal já estava a lançar a empresa de venda de porta-máscaras online - a Masklean (a junção sonora das palavras máscaras e limpa, em inglês). Mas isto só foi possível, conta Gonçalo Marques, porque o pai da namorada, Elsa Anjos, tem uma empresa de cartonagem - faz sobretudo caixas para sapatos.

Vamos por partes: Elsa lembrou-se de pedir ao pai se não era possível fazer-lhes qualquer coisa, uma caixinha que fosse, para poderem guardar as máscaras quando as tiravam e assim garantirem uma maior segurança. Passaram um ou outro serão de volta de folhas A4 e de impressão e, de tesoura em punho, o pai de Elsa foi criando moldes - põe e tira máscara, para ver se fica bem acondicionada, até que chegaram ao modelo em papel kraft, 100% reciclado e 100% reciclável.

"Se o pai da Elsa não tivesse a fábrica, nunca teríamos a ideia de ver a possibilidade de fazer qualquer coisa para guardar as máscaras. E a ideia inicial foi um porta-máscaras para uso próprio", diz Gonçalo. Só que depois os amigos viram, acharam a ideia interessante e também quiseram e, a partir daí, pareceu viável lançar um negócio.

As bolsas - que ficam quadradas depois de acolher a máscara, com cerca de 10x10cm - são feitas na fábrica familiar.

Para todos os gostos

Não é a atividade principal do casal, que tem um espaço de exercício físico e fisioterapia - ele é licenciado em Educação Física e ela é fisioterapeuta. Desde que lançaram a empresa já venderam milhares de máscaras e já diversificaram o negócio com proteções para crianças, ofertas de packs (que ficam mais económicos) e variaram os padrões - há para todos os gostos. Os padrões de outono, como o tigresa, estão a chegar. Para os mis pequenos oferecem modelos divertidos, mas ainda não há super-heróis porque primeiro é preciso ter autorização, por exemplo, da Disney ou da Marvel. "Não usamos padrões de marcas registadas, estamos a trabalhar nisso para estar tudo legalizado."

Além da bolsa em papel kraft, que é a opção mais eco-frendly - já oferecem uma de cartolina premium com proteção bacteriana contra micro-organismos - além disso, é de desinfeção mais fácil, permitindo a limpeza com aplicação de um spray a uma certa distância, toalhitas ou pano embebido em álcool. O porta-máscaras em papel 100% reciclável não garante a mesma resistência.

Uma das preocupações do casal era criar um modelo de proteção das máscaras abrangente. "Os nossos porta-máscaras servem para guardar 95% dos modelos de máscaras, só não dá para aquelas que têm os elásticos mais específicos", explica Gonçalo, acrescentando que o invólucro é fechado precisamente com os elásticos da máscara.

Consciência ambiental numa era plastic free

Os especialistas recomendam que as máscaras sejam guardadas com proteções de papel - guardanapos, lenços ou envelopes. Os sacos de plástico, nomeadamente os de fecho, ao contrário do que se pensa, são desaconselhados porque não permitem que a máscara respire e, ao concentrar a humidade, torna-se um terreno bastante fértil para os vírus. Quem preferir o plástico, deve garantir que tenha furos.>

Gonçalo não quer mentir, diz que a principal razão para criar as suas bolsinhas de papel foi o facto de haver uma fábrica de cartonagem na família. E, depois disso, juntar o útil ao agradável. "Numa altura de plastic free, estamos também a desenvolver alguma consciência ambiental."p>

Gonçalo e Elsa não dão prazo de validade para as bolsas de fabrico porque isso, dizem, depende muito da forma como são usadas - se andarem sempre no bolso das calças certamente estragam-se mais cedo.

As bolsas são vendidas a dois euros por unidade, mais portes de envio, mas há packs mais económicos. A máscara tornou-se um acessório imprescindível com a pandemia do novo coronavírus. Mas, para já, Elsa e Gonçalo não pensam produzir máscaras, apesar de muita gente pedir que as façam - iguais às bolsas, obviamente.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG