Monges dizem adeus a convento da Cartuxa e vão para Espanha em outubro

Os quatro monges vão mudar-se para um convento em Barcelona, num raro momento em que a clausura é aberta.

A despedida dos quatro monges cartuxos que vivem num mosteiro em Évora e vão mudar-se para Espanha está marcada para outubro, numa das raras ocasiões em que a clausura é aberta, foi divulgado esta quinta-feira.

O programa de despedida dos monges da Cartuxa Scala Coeli (Escada do Céu), que vai decorrer entre 6 e 8 de outubro, foi anunciado num comunicado enviado à agência Lusa pelo Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Évora.

O ponto alto das cerimónias está marcado para 8 de outubro, às 18:30, na igreja renascentista do Mosteiro da Cartuxa Scala Coeli, em que o arcebispo de Évora preside à eucaristia de despedida dos monges, estando a clausura aberta a todos os fiéis.

Segundo o programa, no dia 6 de outubro, data em que a Ordem Cartusiana celebra a solenidade do seu fundador, S. Bruno, o arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, celebra uma missa na igreja de São Francisco, situada no centro da cidade alentejana.

Durante a eucaristia, decorre a ordenação presbiteral do diácono Paulo Fonseca, de 52 anos, antigo membro da Cartuxa de Évora, onde viveu cinco anos.

No dia seguinte, o já neo-sacerdote Paulo Fonseca celebra, a nível interno, no Mosteiro da Cartuxa Scala Coeli, em Évora, a Missa de Ação de Graças, com a Comunidade Cartusiana.

Com idades entre os 80 e os 90 anos, os quatro monges da Ordem da Cartuxa que vivem em clausura vão mudar-se para outro mosteiro, em Barcelona, segundo revelou, na semana passada, à Lusa um deles.

"O Capítulo Geral da Ordem da Cartuxa decidiu que nós, que somos dois octogenários e dois nonagenários e que já somos poucos para manter isto de pé, iremos para uma Cartuxa espanhola, perto de Barcelona", indicou o padre Antão Lopez, contactado pela Lusa através de telefone.

O Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, conhecido localmente como Convento da Cartuxa, "lugar icónico" da cidade de Évora, é o único mosteiro contemplativo masculino de Portugal.

A Fundação Eugénio de Almeida (FEA) é responsável pela Cartuxa de Évora, não apenas enquanto "património histórico, artístico e arquitetónico de grande valor", mas, sobretudo, enquanto "centro de vida espiritual único em Portugal".

São Bruno fundou a Ordem dos Cartuxos, que deve o seu nome à aldeia francesa de Saint Pierre de Chartreuse, perto de Grenoble, para onde o Santo se retirou com seis companheiros para se dedicarem à oração e à vida contemplativa.

A instauração desta ordem em Portugal deveu-se a D. Teotónio de Bragança (1530-1602), sendo o Convento da Cartuxa de Évora dedicado à Virgem Maria, sob a denominação "Scala Coeli", a Escada do Céu.

O convento da cidade alentejana, segundo dados fornecidos à Lusa pela FEA, foi integrado na Fazenda Nacional em 1834, após a extinção das ordens religiosas, e os 13 monges e oito leigos que aí viviam "foram expulsos e os bens confiscados e vendidos ao desbarato".

Em 1869, após o fecho da escola agrícola que, entretanto, viria a ser instalada no espaço, José Maria Eugénio de Almeida comprou o mosteiro, "completamente degradado", e as terras agrícolas circundantes.

O mosteiro foi reconstruído em 1948, por Vasco Maria Eugénio de Almeida, bisneto de José Maria, que o devolveu à Ordem Cartusiana, a qual o reabriu passados 12 anos, de acordo com o modo de vida dos cartuxos, feito de "silêncio, oração e absoluta entrega a Deus".

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