Medidas de distanciamento social reduzem em 13% novos casos de covid-19

Estudo analisou os dados de mais de 140 países e conclui que encerramento de escolas e locais de trabalho foi importante para travar a propagação do vírus, com a incidência de contágio a reduzir 13%. Mas aponta que a suspensão dos transportes públicos não teve a mesma eficácia.

As medidas de distanciamento físico têm sido uma das estratégias para combater a covid-19, apesar de não haver dados conclusivos sobre a eficácia real dos confinamentos. Mas, de acordo com um novo estudo de especialistas dos Estados Unidos e do Reino Unido., podem ajudar a retardar a propagação do novo coronavírus.

Contudo, um especialista envolvido na análise alertou que as descobertas, por mais "politicamente convenientes" que sejam, são baseadas em dados deficientes - por serem fornecidos pelos países, com variáveis de qualidade diferentes - e não devem ser consideradas conclusivas, mas sugestivas.

Neste momento, com quase 13,5 milhões de casos confirmados em todo o mundo e uma falta de tratamento eficaz ou uma vacina, "a recomendação mais pragmática foi aconselhar o distanciamento físico (referido por alguns como distanciamento social) para minimizar a transmissão pessoa a pessoa, com vista a achatar a curva da epidemia ", escreveram os autores do estudo, liderados por Nazrul Islam, médico epidemiologista da Universidade de Oxford..

Os investigadores recolheram e analisaram informações sobre casos relatados diariamente de 149 países ou regiões, antes e depois de cinco medidas diferentes de distanciamento físico ou social.

As cinco medidas foram encerramento de escolas e de locais de trabalho, suspensão de transportes públicos, restrições a reuniões de massas e ao movimento de pessoas dentro de países ou regiões.

Os autores do estudo descobriram que, em média, qualquer medida de distanciamento físico esteve associada a uma redução geral na incidência de covid-19 de 13% durante o período em análise. Restrições às reuniões de massas, em sintonia com o encerramento de escolas e locais de trabalho, parecem ter sido um elemento-chave associado à diminuição da incidência de covid-19, relataram no estudo publicado quinta-feira no BMJ.

Por outro lado, o encerramento dos transportes públicos não foi associado a nenhum benefício adicional quando as outras quatro medidas já estavam em vigor, sugerindo que os transportes públicos poderiam permanecer abertos", especialmente para aqueles que trabalham em serviços vitais, incluindo funções de assistência à saúde, prestação de cuidados e resposta a emergência".

A ordem em que essas medidas foram implementadas não parece ter importância, mas, quando as estimativas de todos os países foram reunidas, os investigadores descobriram que uma maior redução na incidência de covid-19 estava associada à implementação mais cedo do confinamento.

Thomas May, professor da Faculdade de Medicina Elson S. Floyd da Universidade Estadual de Washington, elogiou os investigadores por usarem dados do mundo real na sua modelagem, mas apontou que essa força também é problemática.

"Infelizmente, usar esses resultados também é a maior fraqueza do estudo, tornando a análise dependente da qualidade dos dados dos testes. Especificamente, os autores basearam-se em 'casos relatados diariamente' compilados em 149 países independentes; dados sujeitos a variáveis de qualidade, precisão e práticas de teste", escreveu May.

"Em função disso, é necessária cautela ao interpretar as descobertas", acrescentou.

Como exemplo, aponta que os dados dos Estados Unidos são "aquém do ideal" devido à variação nas práticas de testes de local para local, à falta de testes anteriores na pandemia e à agregação de testes de anticorpos aos testes de atividade ativa.

Embora o estudo forneça suporte para o distanciamento físico, "não pode ser definitivo pelas razões descritas". Mas, acrescentou, as medidas provavelmente são eficazes.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG