Macak: O gato preto que "eletrizou" Tesla

Eternos parceiros da Humanidade, os gatos são testemunhas mais ou menos silenciosas do trabalho de escritores, artistas plásticos e cientistas. Mas para Nikola Tesla, o gato Macak parece ter sido mesmo o grande inspirador das suas descobertas na área da Eletricidade.

Num canto remoto do Império Austro-Húngaro (Smiljan, hoje no território da Croácia), mas bem longe dos esplendores de Viena, um rapaz de 12 anos de uma família Sérvia brinca com o seu gato. Nicola e Macak (termo que também designa um gato macho em servo-croata) são inseparáveis, dois companheiros de brincadeiras que se adotaram mutuamente com a dedicação total que, nos humanos, só se conhece nesses anos que precedem imediatamente o tumulto da adolescência.

Um dia, ao final da tarde, sob a luz particular do crepúsculo, Nikola vê o negro pêlo de Macak iluminar-se: "Ao longo das costas e da cauda de Macak havia uma corrente de luz e ao tocá-la a minha mão produziu uma série de faíscas, cujos estalidos foram ouvidos por toda a casa", relataria ele muitos anos depois, já um cientista mundialmente famoso. Alarmada, a mãe do rapaz entrou no quarto e sentenciou: "Este animal ainda incendeia a casa."

A curiosidade não matou o gato mas despertou o dono para o admirável mundo da Física. Até aí Nikola Tesla (1856-1943) - pois é dele que se trata - jamais demonstrara qualquer interesse ou aptidão pela investigação científica. Mas a fugaz cintilação sobre o seu melhor amigo levou-o a interrogar-se, como escreveria nas suas memórias publicadas em 1919, se a Natureza, nos seus caprichosos desígnios, não seria afinal um gato gigante que jogasse às escondidas com os afadigados ratos que são os humanos. E não mais parou de se interrogar, o que trouxe à Humanidade a corrente elétrica alternada, o sistema internacional de unidades que mede a densidade do fluxo magnético e, em última análise, o carro elétrico que tem o seu nome, hoje comercializado pela empresa dirigida por Elon Musk.

Dito de outro modo: Quando dizemos que o mundo em que vivemos não seria o mesmo sem Nikola Tesla, estamos implicitamente a reconhecer a importância de Macak, cujo miado de aflição pode ter sido pequeno para um gato, mas grande para a Humanidade.

O amor por esse cúmplice da sua primeira juventude, como tantas vezes acontece, faria de Tesla um indefetível defensor dos direitos dos animais. Já a viver nos Estados Unidos, tornar-se-ia lendário o carinho que devotava aos pombos do Central Park, em Nova Iorque, que fazia questão de alimentar diariamente, mas, mais importante do que isso, tornar-se-ia um dos primeiros defensores do veganismo, defendendo que a criação de animais para abate e consumo alimentar era um resquício de tempos bárbaros que perdurava injustamente.

Este amor, tomado como extravagância pela generalidade dos seus contemporâneos, valeu a Tesla um dos poucos amigos que lhe são conhecidos: o escritor Mark Twain, dono de dezenas de apaparicados bichanos ao longo da vida, e autor da famosa frase: "Se um ser humano fosse cruzado com um gato; melhoraríamos o homem mas deterioraríamos o gato."

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