Limpar o lixo espacial. Agência Europeia aposta em laser lançado de Tenerife

No espaço existe um milhão de detritos que põem em causa a localização da Estação Espacial Internacional e os satélites enviados. Para evitar estes perigos, está a ser estudada a hipótese de remover o lixo utilizando um laser lançado a partir de Tenerife.

A Agência Espacial Europeia está a investigar um novo método para destruir toneladas de fragmentos de foguetões e de satélites antigos a orbitar à volta da Terra. Este passa por​​​​​​ disparar um laser a partir da estação terrestre localizada em Teide, Tenerife, nas ilhas Canárias, para identificar o lixo espacial e posteriormente removê-lo.

O telescópio, ainda sujeito a aprovação, será colocado a 2400 metros de altura na ilha de Tenerife e o laser deve rastrear fragmentos de detritos espaciais. Daqui a três ou quatro anos é esperado que venha a funcionar mesmo como um canhão para eliminá-los, pulverizando o lixo para o deslocar. O objetivo é "usar este tipo de instalação para desviar objetos para a atmosfera da Terra onde se vão desintegrar por causa do atrito", indica Rafael Rebolo, diretor do Instituto de Astrofísica das ilhas Canárias, citado pelo jornal El País. O projeto custará 600 milhões de euros.

O governo australiano foi o primeiro promotor desta técnica, quando em 2014 financiou um projeto-piloto para desenvolver canhões a laser para limpar lixo espacial. Desde então, também os Estados Unidos e a China têm vindo a explorar esta hipótese.

Atualmente, existem quase um milhão de pedaços de lixo no espaço entre naves, sondas defuntas, restos de foguetões usados, parafusos e até pedaços de tinta soltos acumulados durante 60 anos de exploração espacial. Têm mais de um cêntimetro e chegam a atingir uma velocidade sete vezes superior à de uma bala.

Se nada for feito para limpar o espaço, os satélites correm o risco de ficar danificados ao colidirem com estes detritos e a Estação Espacial Internacional de sofrer algum incidente. Isto porque a uma velocidade média de 40 mil quilómetros por hora, o impacto gera uma energia semelhante à explosão de uma granada de mão. Por causa disto, a Estação Espacial Internacional já teve de mudar de lugar três vezes para escapar à rota de colisão com os detritos.

"Têm aumentado muito os detritos espaciais nos últimos anos e em algumas áreas corremos o risco de não conseguir fazer com que estes retornem depois da colisão com objetos que não conseguimos controlar", explica Tim Flohrer da Agência Espacial Europeia.

Todos os anos são gastos cerca de 14 milhões de euros a desviar satélites para evitar a colisão com detritos espaciais.

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