Premium

Solidariedade

Vieram de São Tomé para se curar. Mas estão abandonados à sua sorte

Michelson, Carla e Joana vieram da ilha africana para Lisboa à procura de tratamento. Mas os cerca de 60 euros que recebem da embaixada não lhes permite viver condignamente. Três histórias de vida. Quantas mais haverá como a deles?

Michelson David jogava à bola todas as semanas nos campos de terra batida da sua ilha, mergulhava nas águas mornas do Atlântico, dançava noite fora os ritmos africanos... Parece que foi ontem mas já passaram oito anos desde que está paraplégico, agarrado a uma cadeira de rodas e todos estes bons momentos estão guardados no baú das recordações - tinha então 27 anos, hoje tem 35. A sua ilha, São Tomé e Príncipe, está a quilómetros de distância da rua de habitações baixas nas Galinheiras, em Lisboa, onde ocupou uma casa fria, escura, em que a cozinha e a casa de banho se fundem num mesmo cubículo.

Sofre muito com o frio, está há três ou quatro meses com febre, com uma infeção que não lhe tira o sorriso da cara. Tem escaras e feridas profundas, em carne viva, ao fundo das costas e nas virilhas. Mas infelizmente não lhe doem, se assim fosse seria sinal de que tinha recuperado a sensibilidade. As enfermeiras do centro de saúde vão todos os dias fazer-lhe o penso, a alimentação é levada pela Santa Casa.

Ler mais