Sol, areia, mar: não é preciso mais nada

Praia Dona Ana, no Algarve: uma praia pequena, por entre as rochas.

As enormes escadinhas de acesso à praia podem ser desencorajadoras quando se vai com crianças e chapéus e sacos. A areia grossa pode causar estranheza a quem não estiver avisado. E nos dias quentes de verão é difícil encontrar lugar para estender a toalha. No entanto, apesar disto tudo, a Praia Dona Ana, em Lagos, está constantemente nas listas das praias mais bonitas de Portugal (e às vezes até do mundo).

Talvez seja o envolvimento rochoso, que dá aquele conforto de prainha pequena. Talvez seja o mar transparente, quase sem ondas e de temperatura bem mais agradável do que as praias das redondezas. Talvez seja o rochedo, plantado ali à frente, pronto a ser estrela de todas as selfies. Ou o modo como a praia muda consoante a maré esteja alta ou baixa. Ou os barquinhos de madeira estacionados na baía e prontos a levarem-nos por uma viagem exploratória por entre as grutas. Ou a maneira como, ao fim do dia, o sol começa a desaparecer por trás das rochas que ficam ainda mais amareladas - aqui, o sol nunca se põe no mar, mas nem por isso o momento é menos esplendoroso. Sobretudo, se for acompanhado por um copo de sangria bem fresca, na esplanada.

Aconselha-se a visita fora da época alta. Com pouca bagagem. Com muito tempo. O resto é por vossa conta.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?