Premium

Crianças e jovens em perigo: Que Futuro?

"Se crianças e jovens em acolhimento processassem o Estado o sistema tinha de mudar"

Sofia Marques é advogada e coordena um projeto de integração familiar. E critica o sistema, a forma como funciona e como trata as próprias crianças e os jovens em acolhimento, a desconfiança que tem em relação à sociedade civil e a falta de vontade política para mudar o que está instalado.

No dia em que ouviu em tribunal um procurador dizer que o projeto de vida para uma criança de 7 anos era a autonomização, Sofia Marques, coordenadora do projeto Amigos p'ra Vida, sentiu-se indignada. "Isto é inaceitável, eu diria quase crime." Em seguida, ouviu a diretora da casa de acolhimento em que a criança estava dizer que isso obrigava ao acolhimento em instituição durante muitos anos, até poder integrar uma residência de autonomização. Ou seja, até aos 16 anos, pelo menos. Ouviu-a dizer que o acolhimento institucional deveria ser apenas temporário, que para aquela criança de 7 anos haveria certamente outras soluções. Mas nada.

A advogada, que trabalha há muito nesta área - foi defensora oficiosa de regulações parentais de crianças em casas de acolhimento e membro da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Lisboa Centro -, diz que já viu e ouviu de tudo. Por isso, critica o sistema, as mentalidades instituídas, a forma como as próprias crianças e os jovens em acolhimento são tratados, a forma como as famílias biológicas e até aquelas que se candidatam a uma adoção, ao acolhimento familiar, ao apadrinhamento civil são esquecidas, ignoradas e até pouco apoiadas. Critica até a forma como o próprio Estado lida com as organizações da sociedade civil que tentam trabalhar e ajudar nesta área. E critica, sobretudo, "a falta de vontade política" para se conseguir mudar o que é preciso.

Ler mais

Exclusivos

Premium

adoção

Técnicos e juízes receiam ataques pelas suas decisões

É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.