Onde andam os portugueses nascidos no ano 2000? Mais de metade estão no superior

Cerca de 52% dos portugueses nascidos no ano 2000 vão entrar no ensino superior em setembro. Destes, 7.600 optam por formações curtas, sobretudo nos politécnicos.

A geração do ano 2000 deverá ser a primeira, na história do país, em que mais de metade (52%) ingressa no ensino superior aos 18 anos. De acordo com as previsões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), cerca de 63 200 alunos nascidos na viragem do milénio estarão matriculados, neste mês, em universidades e institutos politécnicos.

Destes, cerca de 7600 estarão a frequentar cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP), que não conferem grau mas permitem prosseguir estudos, estimando-se que metade dos mesmos acabe por prosseguir para licenciaturas.

Para o Ministério, "o papel transformador dos politécnicos e das suas ofertas de formação inicial curtas" é crucial para se assistir a este novo "perfil de juventude". Em anos anteriores, refere o gabinete do ministro Manuel Heitor, a percentagem daqueles que chegavam a universidades e politécnicos não ia além dos 40%.

22% fora do sistema de ensino

E o que sucedeu aos restantes? De acordo com os dados do governo, a grande maioria continua ainda a estudar.

Dos 120 008 nascidos em Portugal no ano 2000, 24% ainda não terminaram o secundário: 9% ainda não chegaram ao 12.º ano e 15% já atingiram o último patamar do secundário, realizaram Exames Nacionais, mas não conseguiram ainda terminar a escolaridade obrigatória.

Entre os que não estão a estudar, 7% já concluíram o ensino secundário mas não prosseguiram estudos, estando a trabalhar ou em situação indefinida. É uma percentagem substancialmente inferior à de anos anteriores, onde este grupo representava cerca de 20% do total. E terá sido sobretudo nesta franja que se registaram mais ganhos para as instituições, sobretudo por via dos cursos de curta duração.

Há ainda, no entanto, 15% de nascidos em 2000 que não frequentaram sequer o ensino secundário no último ano letivo, grupo onde se incluem todos os que abandonaram o sistema antes do final das escolaridade obrigatória.

Por fim, 3% dos que nasceram no início deste século não constam dos registos (3498) por motivo de emigração ou falecimento.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.