Exportar e comercializar asteroides. O negócio de futuro

Científicos e empresas estudam a possibilidade de usar estas massas espaciais como matérias primas na Terra ou em colonizações

No dia internacional dos Asteroides, que se comemora este sábado, dia 30 de junho, cientistas e empresas estudam a possibilidade de usar estas corpos rochosos e metálicos como matérias-primas na Terra, sobretudo, como forma de preservar algumas reservas naturais e evitar a extinção da raça humana, explica o El País .

Será isto possível? Recolher, exportar e utilizar corpos celestes na Terra? Investigadores dizem que sim e apontam múltiplas possibilidades para os espetros: consumo na terra, construção de material espacial, fonte de combustível e matéria-prima para uma (futura e possível) colonização de Marte.

Julia de León, investigadora do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC) e especialista no estudo de asteroides, assegura que várias empresas despertaram recentemente algum interesse pela astronomia e "já alocam fundos para investigar os compostos mais abundantes" nestas massas. Isso irá permitir estarem preparados, quando possível, para a extração de materiais a níveis industriais.

Isso ainda não é feito, segundo Juan Fabregat, professor de astronomia e astrofísica da Universitat de Valência e especialista em origem e formação de corpos celestes, porque a exploração "ainda não é é rentável, mas não há dúvida de que no futuro irá ser".

Sobretudo, porque alguns asteroides contêm hidrogénio e oxigénio. O que significa, de acordo com Javier Licandro, astrofísico do IAC especializado em corpos menores do Sistema Solar, que estes podem ser fundamentais para obter combustível no espaço, "funcionando como uma espécie de posto de gasolina galático."

O astrofísico vai mais longe considerando que é mais viável aproveitar os asteroides como fonte de recursos para construir material espacial do que para consumo na Terra.

Ou então, como matéria-prima para uma eventual colonização futura de Marte ou de outros lugares dentro ou fora do Sistema Solar. "A Terra, um dia, inevitavelmente, irá tornar-se um lugar inabitável", vaticina Juan Fabregat. Quer seja por causa do sol, das guerras, das doenças, das secas, do excesso de população terrestre...

Os investigadores que defendem esse cenário apocalíptico, defendem também que nessa altura terá de haver uma alternativa à vida na Terra.

"Estamos acostumados a colonizar, o homem expandiu as civilizações desde as suas origens e fez viagens que pareciam inconcebíveis", enfatiza Javier Licandro, que acredita possuirmos tecnologia suficiente para alcançar outros planetas e "se ainda não o fizemos, é porque não é lucrativo ou necessário".

Julia de León considera a possibilidade de habitar Marte, mas destaca a necessidade de oxigénio, água e comida, bem como "ser capaz de nos proteger das temperaturas e outras condições extremas do planeta vermelho. Os asteroides poderiam fornecer-nos alguns desses materiais necessários."

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