Em Campelo, nas margens da ribeira de Alge

A ribeira de Alge nasce na serra da Lousã e atravessa o concelho de Figueiró dos Vinhos. São muitos os locais onde se pode banhar nas suas águas. A piscina fluvial de Campelo é um deles...

Nasce na serra da Lousã, atravessa o concelho de Figueiró dos Vinhos e é um bom motivo para descobrir a região. Um curso de água que nos leva a parar e a esquecer o frenesim das cidades, a descobrir a calma de locais que se deparam aos nossos olhos como pequenos paraísos. Mas é na freguesia de Campelo que destaco os encantos que a ribeira de Alge proporciona. Nesta aldeia, a dos meus avós, há lugares escondidos pelas copas das árvores, em que os raios de sol entram de soslaio, como que a espreitar o ambiente idílico que ali está, resistindo ao tempo e tentando estar longe do mundo.

Na piscina fluvial de Campelo, inaugurada há 25 anos, as escadas levam-nos em direção às águas desta ribeira, que atravessa o meio da aldeia, um vale com o casario branco a ladear o curso de água, bem lá no fundo, onde o verde do arvoredo quer voltar a ganhar força e envolver a paisagem, mesmo depois dos incêndios de 2017.

A cinco minutos de Castanheira de Pera, Campelo, no concelho de Figueiró dos Vinhos, viu nascer a piscina fluvial como que a querer destacar, ainda mais, a ribeira carregadinha de afetos e memórias de outros tempos. A vontade de uma gente resiliente e apaixonada pela terra está na origem da infraestrutura, em que o passar do tempo também se faz notar.

Ribeira de Alge desagua na Foz de Alge, no rio Zêzere

É um lugar comum destacar a simples contemplação da natureza, o silêncio e a paz que os lugares nos transmitem, mas no meio desta corrida desenfreada para lugar nenhum as coisas simples ganham o estatuto de extraordinárias. Estar sentado naquelas escadinhas, mesmo à beirinha da ribeira, é isso mesmo, sem adornos ou fogos-de-artifício.

Apenas a quietude da corrente das águas, que desaguam no rio Zêzere, na Foz de Alge, impera. Mesmo quando em dias estivais se ouve o gargalhar das crianças a brincar na água - um som tão raro nestas aldeias do interior -, a bola dos miúdos a bater nas redes do rinque e e as conversas soltas dos amigos na esplanada do Viveiro das Trutas, ali mesmo, à beira da ribeira.

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