Premium E a se a Lua deixasse de existir? Ou nunca tivesse existido?

Talvez a vida continuasse, mas nunca nos mesmos moldes, dizem os astrónomos. Um mundo sem Lua também seria outro. Escuro, sem eclipses nem marés.

Ainda bem que existe Lua e que lá fomos há 50 anos", diz João Paulo Vieira, ex-professor e diretor do Centro Ciência Viva de Braga, que tem dedicado boa parte da vida a estudar e a divulgar a astronomia. Todos os dias, astrónomos de todo o mundo tiram proveito daqueles passos de Neil Armstrong e Buzz Aldrin na superfície da Lua, graças ao refletor que os astronautas ali deixaram - que torna possível calcular a distância da Terra à Lua e, com isso, conhecer mais dos movimentos deste satélite que será o que sobrou da colisão de um planeta com a antiga Terra. Uma das conclusões é que a Lua se afasta da Terra três centímetros por ano. "É o preço a pagarmos pela existência das marés", começa por explicar o astrónomo Mário Monteiro, professor associado da Universidade do Porto. "Ao existir dissipação de energia, vai-se afastando."

Calma! Não se trata do enredo da série dos anos 1970 Espaço 1999. A hipótese de uma Lua "em fuga" tardaria milhares de anos. "No nosso tempo de vida isso já não será possível", tranquiliza João Paulo Vieira. "Está mais longe de acontecer do que o Sol de deixar de nos iluminar", completa Mário Monteiro.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.