Bárbara Guimarães anuncia que tem cancro, associações elogiam

Bárbara Guimarães anunciou esta sexta-feira nas redes sociais que tem cancro. E ajudou as mulheres, dizem as associações

Esta sexta-feira é natural que os telefones tenham tocado mais na Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM) e na Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC). É sempre assim, quando uma figura pública anuncia que tem uma doença cancerígena.

Bárbara Guimarães divulgou nas redes sociais que tem cancro da mama. "A todos quero comunicar. Tenho cancro de mama. (...) Fui submetida, com sucesso, à cirurgia. Continuo entregue à medicina e a Deus. Em boas mãos!" Escreveu no Facebook

"Queremos que se fale do cancro, que se retire o estigma de que cancro é igual a morte, na medida em que cada vez mais tratamos estes doentes. O cancro da mama, desde que seja detetado precocemente, é tratável". É a reação de Vítor Veloso, o presidente da Liga, ao anúncio da apresentadora.

Tem a mesma opinião Mafalda Pinto Coelho, presidente da APAMCM : "Ajuda a sensibilizar as pessoas para a necessidade de fazerem, exames de diagnóstico. Quando a Bárbara Guimarães diz que tem cancro, envia uma mensagem de que pode acontecer a qualquer pessoa. Alerta, mais uma vez, a mulher portuguesa para a necessidade de deteção precoce da doença, porque só assim a podem combater de forma eficaz".

A associação, que se apresenta como uma clínica social, tem uma consulta de rastreio na área da ginecologia e do cancro da mama, onde realizam todos os exames necessários e fazem o acompanhamento do doente a preços que Mafalda Pinto Coelho diz serem acessíveis. E, sempre que há um anúncio público da doença por parte de uma celebridade, os contactos e os pedidos para consulta aumentam, o que também acontece na Liga.

O presidente da Liga e cirurgião oncológico, sublinha que uma informação deste tipo traz sempre benefícios: "Depende da pessoa que faz o anuncio, no caso da Bárbara Guimarães, é uma situação que mais tarde ou mais cedo se viria a saber e ela quis antecipar a divulgação. Para os organismos que trabalham nesta área, é positivo porque chama a atenção para o facto do cancro poder atingir qualquer pessoa e de qualquer idade, daí a necessidade de se realizarem exames periodicamente. Para a pessoa, também poderá ser positivo porque faz com que tenha mais atenção por parte dos media".

O médico acrescenta que, em Portugal, são 600 mil os sobreviventes do cancro, "é um grande exército e um grande exército saudável".

O DN tentou contactar Bárbara Guimarães, sem êxito.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.