Grão quinoa com três mil anos descoberto no Canadá. "Foi quase um choque", diz cientista

Alguém na região de Ontário torrou sementes de quinoa há cerca de três mil anos. O achado deste cereal da antiga dieta dos incas, na América do Norte, foi uma enorme surpresa para os cientistas - e levanta muitas questões

Para os cientistas foi uma enorme surpresa, "quase um choque", como confessa o arqueólogo Gary Crawford, da Universidade de Toronto. "Foi a primeira vez em 45 anos de trabalho que estive tão próximo de sentir um choque", disse o investigador, citado pelo Smithonian.com. "Fiquei mais maravilhado e surpreendido do que chocado, mas foi um daqueles momentos OMG [Oh My God!], que se tem por vezes quando se faz investigação", contou.

Não é caso para menos. A descoberta, relatada pela sua equipa na revista científica American Antiquity, não é menos do que extraordinária, já que esta foi a primeira vez que se encontrou tão a norte, no continente americano, a presença de sementes deste cereal associado à antiga dieta dos incas com cerca de três mil anos.

A equipa identificou dezenas de milhares de sementes num sítio arqueológico de Brantford, no Ontário, mas foi só ao analisar os sedimentos recolhidos no local que se apercebeu da verdadeira natureza dos pequeníssimos grãos.

As sementes estão queimadas e os cientistas supõem que aquele terá sido o resultado de uma torragem que correu mal. Mas como explicar, em primeiro lugar, a sua presença tão a norte no continente americano?

A verdade é que não há uma resposta definitiva, pelo menos ainda. De acordo com a equipa, só no século VI este cereal começou a ser cultivado mais a norte, na América, por isso, esta descoberta pode indicar uma de duas coisas: ou chegaram ali apenas como fruto de uma troca entre tribos, ao longo de uma rota de intercâmbio de produtos ou, o que é menos plausível, indicam que haveria ali algum cultivo local deste cereal.

Os cientistas inclinam-se pouco para esta última hipóteses, uma vez que não há - nem nunca houve até agora - quaisquer indícios do seu cultivo ali há três mil anos, mas na verdade, não há certezas.

Por isso, a equipa tenciona agora recolher amostras de diferentes coleções de cereais na região e analisar também as espécies selvagens em busca de novas pistas.

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