Este fóssil de dinossauro poderá reescrever a história geológica da China

Fóssil de espécie Lingwulong shenqi descoberto viveu no norte do país há cerca de 174 milhões de anos.

Uma descoberta que promete mudar a história geológica da China e, quiçá, do planeta. Um fóssil de um dinossauro da família dos saurópodes, caracterizados pelas dimensões gigantes e pelos longos pescoços, foi encontrado no norte da China.

Estima-se que a espécie, de nome Lingwulong shenqi, terá vivido nessa região há cerca de 174 milhões de anos, quando supostamente o leste asiático já deveria ter-se separado do supercontinente Pangea. No entanto, por ter sido o mais antigo dinossauro do subgrupo neosauropoda a aparecer nessa região do globo, 15 milhões de anos antes de qualquer outro, causou estupefação entre os especialistas.

"Não só é o mais velho membro [desse grupo], mas também o primeiro de sempre na Ásia. Durante muito tempo pensou-se que os neosauropoda não teriam entrado na Ásia durante o Jurássico", afirmou à BBC News Philip Mannion, do Imperial College London, autor do estudo.

Acreditava-se que o supercontinente Pangea estava a começar a fragmentar-se por essa altura e que um mar separasse o que é hoje a China do resto do continente, impedindo que os animais se cruzassem, mas essa teoria poderá estar em risco de cair por terra. "Esta descoberta sugere, em primeiro lugar, que os neosauropoda tivessem entrado na Ásia antes que qualquer tipo de barreira surgisse, mas cada vez mais as evidências geológicas sugerem que talvez essa barreira tenha sido bastante efémera", prosseguiu Mannion.

O estudo foi publicado no Nature Communications.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?