Diretor do Instituto Espanhol admite que "horário pode ser melhorado"

A decisão do Instituto Espanhol Giner de los Rios de acabar com a hora de almoço para alunos maiores de 11 suscitou protestos dos pais

A jornada contínua das 8:20 às 15:15 com apenas dois intervalos de 15 minutos em vigor no Instituto Espanhol Giner de Los Rios é, segundo o diretor da instituição, "um horário experimental aprovado para este ano", que poderá ser revisto no último trimestre do ano letivo. "Há vários anos que os alunos e pais do ensino secundário tinham vontade de alterar o horário, razão pela qual se aprovou este horário experimental", disse ao DN José Ignacio Ruiz.

A decisão foi comunicada aos encarregados de educação dos alunos do Instituto Espanhol dois dias úteis antes do início das aulas, sendo que uma boa parte dos pais não achou bem que as crianças - a medida aplica-se aos alunos maiores de 11 anos - estivessem sete horas sem comer e protestaram.

Questionado sobre o tempo que os adolescentes estão sem comer, José Ignacio Ruiz reconhece que o horário "pode ser melhorado". "É claro que podia ser melhor, mas há muitos pais e alunos que consideram que é melhor do que no ano passado. É difícil chegar a uma posição intermédia. Temos mais de mil alunos, dos 3 aos 18 anos", afirmou, numa conversa telefónica com o DN.

Este horário foi, segundo o responsável, aprovado pelos órgãos consultivos do Instituto, bem como pela administração em Madrid. José Ignacio diz que feita uma consulta no final do último trimestre do ano letivo passado, como está previsto, mas, devido às alterações no Governo espanhol, a aprovação atrasou-se. Daí que o novo horário só tenha sido comunicado aos pais alguns dias antes do início das aulas.

"Há pais contentes e descontentes. Por isso, sendo sensível às diferentes opiniões, o Instituto começou uma negociação em setembro", recorda. Ignacio Ruiz conta que foi possível chegar a um "princípio de acordo" para um "horário intermédio", dando "resposta ao que solicitavam os pais que estavam contra". Ao que o DN soube, essa proposta incluía um intervalo de 25 minutos a meio da manhã e outro de meia hora para almoço (das 14.15 às 14.45), com as aulas a terminarem às 15.40. "Mas na hora de assinar, não deixaram que acontecesse", conta.

Destacando que "os alunos estão maioritariamente a favor do horário atual", o diretor do Instituto Espanhol diz que, neste momento, "não há negociação possível, porque os pais decidiram colocar os recursos". A partir de agora, sublinha, o tema "será resolvido através da administração".

Tal como o DN noticiou, a "guerra" entre os pais e a instituição de ensino está a ser mediada pela Embaixada de Espanha. "A Consejería de Educación está a mediar para se encontrar um consenso na comunidade escolar", disse esta quinta-feira fonte da embaixada.

Segundo os pais ouvidos pelo DN, o horário oficial de saída é às 15.40, mas os alunos terminam as aulas às 15.15, ficando com 25 minutos para almoçar. Muitos acabam, no entanto, por almoçar mais tarde, apenas quando chegam a casa.

A jornada contínua existe em Espanha, mas os alunos começam mais tarde, às 09:00, e terminam mais cedo, às 14.15, explicou ao DN uma mãe que prefere manter o anonimato. Um horário impossível em Portugal, pois o Instituto Espanhol tem de acomodar disciplinas específicas do currículo nacional - Português e História.

Inconformados com a situação proposta pela escola, os pais, que entretanto criaram uma comissão para tratar do tema, têm enviado queixas para as autoridades portuguesas e espanholas, mas, até ao momento, a situação mantém-se.

O novo horário surge na sequência de alegadas reivindicações de pais e alunos, que pediam que as aulas acabassem mais cedo para que pudessem ter mais tempo livre e para estudar, uma vez que o colégio é bilingue e tem uma elevada carga horária.

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