Premium De mãe para filha(s). A vida de mão dada, do princípio ao fim

A memória mais antiga e a mais recente que Alexandra Azambuja guarda da mãe, tem em comum uma imagem: estão de mão dada. Foi esse gesto que marcou o princípio e o fim de uma convivência com uma mulher especial. Uma história que começa em Lisboa, viaja por Moçambique, Brasil, e termina em Leiria. Afinal, o mundo mudou, a vida também, mas ambas educaram as filhas de forma muito parecida

A memória mais antiga que Alexandra Azambuja guarda da mãe "está misturada com o sol da década de sessenta coado pelos cortinados cor de laranja, a música de Chico Buarque na rádio - "Estava à toa na vida, O meu amor me chamou, Pra ver a banda passar, Cantando coisas de amor" -" e o anúncio: - Sábado vais começar as aulas de ballet e aprender a fazer plié! "O que é plié?" - perguntou ela. A mãe, Lucínia Azambuja, uma das primeiras mulheres a dirigir um jornal em Portugal (o Região de Leiria, entre os finais das décadas de 1980 e 90) pegou-lhe na mão pequenina e exemplificou, qual bailarina experiente. "E eu a pensar porque haveria de gostar de fazer aquilo..."

Passaram quarenta anos entre esse momento e o último em que estiveram juntas, no verão de 2008. "Nesse final de manhã em que saiu do hospital, comigo na ambulância de mão dada, falámos de como se sentia calma e feliz por voltar ao lugar que era agora a sua casa" - um Lar de idosos, para onde a mãe fora prematuramente, na sequência de um AVC.

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