Covid-19 em Portugal. Jovens estão menos preocupados, mas aceitam melhor isolamento

Desde que o novo coronavírus chegou a Portugal e antes da declaração de estado de emergência, os mais novos desvalorizaram mais a pandemia, mas também optaram por acumular mais alimentos e isolar-se.

Os portugueses estão muito preocupados com o impacto da covid-19 no país. Mas se a preocupação se pode medir: os jovens estão a optar por uma atitude mais descontraída face ao surto pandémico que chegou a Portugal no dia 2 de março. No entanto, foram quem levou mais a sério as indicações das autoridades para ficarem em casa, ​​​antes ainda de ter sido decretado estado de emergência, ​​​​revela um estudo elaborado pelo grupo de investigadores do Nova SBE Health Economics & Management Knowledge Center da Universidade Nova de Lisboa (NHEM), que estão a acompanhar os hábitos dos portugueses durante a evolução do novo coronavírus no país.

"Cerca de uma em cada quatro pessoas já estava a fazer isolamento voluntário e uma em cada duas dizia-se muito preocupada com a pandemia. O que é interessante é que, quando cruzamos estas duas dimensões, aqueles que estão menos preocupados com a pandemia são os que estão mais isolados - são os idosos que dizem manter a sua vida mais normal do que os outros", indica Eduardo Costa, investigador em economia da saúde do NHEM. "O inquérito em si não nos diz porquê, mas podemos ter algumas hipóteses, nomeadamente, o facto de os mais velhos já terem passado por outras crises semelhante e portanto terem alguma suspeita em relação a esta situação e efetivamente alguns idosos podem não ter alternativas fáceis para continuarem as suas vidas e por ter continuado a sair à rua no início", acrescenta.

A informação analisada foi recolhida nas primeiras duas semanas do vírus em Portugal, através de um questionário online, com uma amostra de 4682 pessoas, que continuarão a ser seguidas durante as próximas semanas. Praticamente um quarto destes cidadãos assumiu estar em isolamento profilático em casa, sendo que 68% reportaram já se encontrar no domicílio, porque o seu local de trabalho encerrou ou estão em regime de teletrabalho.

Entre os cidadãos que dizem ter manifestado sintomas coincidentes com os do novo coronavírus (febre, tosse, dificuldades respiratórias), 14% usaram a linha recomendada para entrar em contacto com os profissionais de saúde - a SNS 24 (808 24 24 24).13% optaram por deslocar-se diretamente a um centro de saúde e 8% foram a uma farmácia.

Que atitude no supermercado?

Quem está mais preocupado, faz mais compras: é o que evidencia o inquérito. Sendo que 38% dos inquiridos confessa ter feito comprado bens de primeira necessidade adicionais para se prevenir. A maioria (50%) deslocou-se ao supermercado, 36% foi a um hipermercado, 7% encomendou comida online e 6% foi a uma mercearia.

"Numa dimensão mais económica e olhando para aquelas frases como "por favor, não açambarquem no supermercado" verificámos que efetivamente uma percentagem muito significativa da nossa amostra foi ao supermercado fazer compras a correr", diz o investigador Eduardo Costa.

A faixa etária onde se nota uma maior preocupação com a ida às compras é a dos 33 aos 45 anos e a maior parte das pessoas gastaram entre 51 a 100 euros. Não passando despercebido que esta é mais uma prioridade para os mais novos do que para os mais velhos.

Deco. Metade dos portugueses não cumprem a quarentena

Num artigo publicado esta quinta-feira (26 de março), elaborado também antes do estado de emergência, a autoridade de Defesa do Consumidor, Deco, indica que metade dos portugueses não estavam a cumprir o período de quarentena, mesmo quando apresentavam um dos sintomas de covid-19. "9% dos portugueses revelaram ter tido, pelo menos, um dos sintomas característicos da covid-19 (febre, tosse seca ou dificuldades respiratórias) nos últimos 15 dias, mas 77% não contactaram os serviços de saúde e metade revelou não cumprir quarentena. Apenas 12% dos que apresentaram sintomas ficaram em casa, não saindo em nenhuma circunstância", alerta a Deco, na sua página na Internet.

Em Portugal, o isolamento é pedido a todos - mesmo a quem não manifeste nenhum sintoma - no âmbito do estado de emergência em que Portugal se encontra, desde a semana passada. As regras dizem que não é permitida a saída de casa, salvo para ir trabalhar, deslocar-se ao supermercado, à farmácia e para passear animais ou arejar um pouco. E mesmo nestas circunstâncias as autoridades de saúde pedem que se mantenha o mínimo tempo possível fora do domicílio.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos).

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus, as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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